Guilherme Fiúza, Revista Época
A mentira e Dilma Rousseff parecem cumprir uma sina na vida. Ao longo do tempo, volta e meia estão se encontrando por aí.
Primeiro foi na ditadura. Sob tortura, a atual ministra mentiu. Se orgulha disso, porque assim não delatou seus colegas de guerrilha.
O problema foi o tipo de relação que daí adveio entre as duas, Dilma e a mentira. A densidade de um momento tão nobre talvez tenha criado entre elas um laço de gratidão.
Em entrevista a Jô Soares, a ministra-chefe da Casa Civil falou sobre o PAC, do qual, como sabemos, é a mãe. Vitoriosa, disse que os céticos não acreditavam que o programa cumpriria seu alto nível de investimentos: “504 bilhões de reais, que fizemos nesse período”.
Como se vê, a ministra e a mentira continuam se esbarrando por aí – agora em pleno sol da democracia. O investimento de 504 bilhões do PAC “que fizemos nesse período” é uma previsão para os quatro anos do segundo mandato de Lula. Vai ver Dilma já está lá, em 2010, nos falando ao vivo diretamente do futuro.
Para os mortais que continuam vivendo em 2008, a realidade é um pouco menos triunfante. Desses 504 bi previstos, 120 bilhões são a projeção de investimentos da Petrobras, ou seja, dinheiro carimbado de estatal. Pelo menos outros 200 bilhões viriam “da iniciativa privada”, isto é, caridade com o chapéu alheio – que pode existir ou não.
A maior fatia do valor restante é a soma das previsões – muito anteriores ao PAC – de investimentos de outras estatais e do Orçamento da União. Mas o número mágico de 504 bilhões continua à solta.
A novidade é a ousadia da ministra. Prometer um número mágico já é arriscado. Anunciar que essa dinheirama já choveu sobre os brasileiros é contar demais com a sorte.
Por enquanto, está tudo bem. O pessoal parece não ter estranhado, vai ver estava todo mundo hipnotizado pelo cenário do Jô.
Também no Jô, a ex-guerrilheira voltou a dizer que o dossiê FHC é “um banco de dados”, explicando dessa vez que se tratava da “informatização” daquela informação. Uma informatização só com dados selecionados. Quem sabe seja um “The Best of FHC e Dona Ruth, by Dilma”?
A mentira um dia foi salvação para Dilma Rousseff. Agora talvez seja a hora da ministra salvar-se dela. Rápido, enquanto ninguém nota.
A mentira e Dilma Rousseff parecem cumprir uma sina na vida. Ao longo do tempo, volta e meia estão se encontrando por aí.
Primeiro foi na ditadura. Sob tortura, a atual ministra mentiu. Se orgulha disso, porque assim não delatou seus colegas de guerrilha.
O problema foi o tipo de relação que daí adveio entre as duas, Dilma e a mentira. A densidade de um momento tão nobre talvez tenha criado entre elas um laço de gratidão.
Em entrevista a Jô Soares, a ministra-chefe da Casa Civil falou sobre o PAC, do qual, como sabemos, é a mãe. Vitoriosa, disse que os céticos não acreditavam que o programa cumpriria seu alto nível de investimentos: “504 bilhões de reais, que fizemos nesse período”.
Como se vê, a ministra e a mentira continuam se esbarrando por aí – agora em pleno sol da democracia. O investimento de 504 bilhões do PAC “que fizemos nesse período” é uma previsão para os quatro anos do segundo mandato de Lula. Vai ver Dilma já está lá, em 2010, nos falando ao vivo diretamente do futuro.
Para os mortais que continuam vivendo em 2008, a realidade é um pouco menos triunfante. Desses 504 bi previstos, 120 bilhões são a projeção de investimentos da Petrobras, ou seja, dinheiro carimbado de estatal. Pelo menos outros 200 bilhões viriam “da iniciativa privada”, isto é, caridade com o chapéu alheio – que pode existir ou não.
A maior fatia do valor restante é a soma das previsões – muito anteriores ao PAC – de investimentos de outras estatais e do Orçamento da União. Mas o número mágico de 504 bilhões continua à solta.
A novidade é a ousadia da ministra. Prometer um número mágico já é arriscado. Anunciar que essa dinheirama já choveu sobre os brasileiros é contar demais com a sorte.
Por enquanto, está tudo bem. O pessoal parece não ter estranhado, vai ver estava todo mundo hipnotizado pelo cenário do Jô.
Também no Jô, a ex-guerrilheira voltou a dizer que o dossiê FHC é “um banco de dados”, explicando dessa vez que se tratava da “informatização” daquela informação. Uma informatização só com dados selecionados. Quem sabe seja um “The Best of FHC e Dona Ruth, by Dilma”?
A mentira um dia foi salvação para Dilma Rousseff. Agora talvez seja a hora da ministra salvar-se dela. Rápido, enquanto ninguém nota.