A Revista Veja desta semana, traz em sua coluna um texto primoroso que merece reflexão, que ilustra o tipo de mentalidade que vigora no seio do atual governo e que, para se dizer o mínimo, representa o que há de mais asqueroso em termos políticos e demonstra a insanidade instalada no Planalto para a manutenção do Poder. O País que linche, as empresas que se danem, os problemas (que não são poucos) que tomam de assalto a população brasileira (segurança e saúde, por exemplo) que se danem. O importante é o partido segurar o poder da república entre suas mãos para continuar contribuindo para o nosso atraso.
O texto, da Coluna “CARTA AO LEITOR” serve,muito apropriadamente, para que os para que os partidos de oposição reflitam bem na estratégia que empregarão no próximo ano para a sucessão de Lula. Que os erros do passado não se repitam , para o bem do país.
Num post que publicaremos ainda nesta edição, vamos mostrar que era para Lula ficar copiando o governo de FHC e, depois, cretinamente, posar como pai do filho alheio, que ficasse lá pelo ABC praticando seu sindicalismo do atraso.
Carta ao Leitor: Para evitar o falso debate
Revista Veja
Encher-se de logos de estatais não livrou Alckmin em 2006 do rótulo, colado por Lula, de ser uma ameaça às empresas do estado
Os políticos tiram proveito da constatação de que a única forma de fazer o público se interessar por uma questão nacional é reduzi-la a um Fla-Flu. Em tempo de campanha eleitoral, a tática reducionista vira uma obsessão e, muitas vezes, o pleito é mesmo decidido pela capacidade de um candidato de colar no outro um único e destruidor rótulo. Lula demoliu Geraldo Alckmin no segundo turno de 2006 demonizando de tal forma as privatizações do governo FHC que o candidato tucano ficou paralisado. Sem muita convicção, Alckmin ainda se cobriu de logos dos Correios, do Banco do Brasil e da Caixa, que prometeu nunca vender. Sem sucesso. No córner esquerdo, Lula, mostrado como o campeão da defesa das riquezas do Brasil, nocauteou Alckmin, a ameaça. Nada mais falso. Nada mais empobrecedor. Nada mais eficiente.
Uma reportagem desta edição de VEJA conta como os partidários de Lula planejavam armar o mesmo jogo em 2010. O laboratório dessa estratégia foi um assombroso ataque desfechado contra a Vale. Desde sua privatização, em 1997, a mineradora multiplicou por seis seu valor de mercado, passou a pagar 1 000% a mais de impostos, criou 52 000 empregos diretos, tornando-se uma potência global, com atuação admirável em trinta países. A Vale, portanto, deixou de ser do estado para ser do Brasil. A reportagem mostra que, a despeito de tanto sucesso, o governo passou a bombardeá-la. Primeiro foram críticas veladas, que logo deram lugar a descomposturas diretas na atual direção da companhia. Na semana passada, a estratégia ficou clara. O bilionário Eike Batista seria usado para comprar ações da empresa em mãos privadas e, ao fim e ao cabo, revendê-las aos atuais sócios estatais da Vale, devolvendo sua gestão ao estado.
Fazendo curta uma longa história, a candidata do governo entraria, então, em 2010 com o formidável trunfo de ter resgatado a joia da coroa estatal entregue por FHC à perversa iniciativa privada. Entraria. Eike pulou fora. O plano, por enquanto, falhou. A débâcle dá chance para que uma questão tão complexamente vital para o progresso e o bem-estar de todos os brasileiros, como é o papel do estado na economia, escape de se ver reduzida na campanha presidencial de 2010 a um duelo tão simplista quanto falso entre a santa guerreira do estado e o dragão da maldade da iniciativa privada. É quase utópico. Mas todos ganhariam.
