Adelson Elias Vasconcellos
Num discurso ao longo da semana, Lula tentando se explicar sobre o apagão da última terça-feira, lembrou do episódio da TAM em que, segundo ele, ficou provado que o seu governo não foi culpado pela morte das 199 pessoas vitimadas naquele acidente. Lamentavelmente, alguém o anda informando errado, ou ele tenta, uma vez mais, mudar a verdade a seu favor.
A exceção da Polícia Federal que, em levantamento ficou demonstrado que ela não apura 80% dos casos a seu encargo, todos os demais relatórios elencaram as razões para o acidente e, dentre eles, estão a questão da pista, esta sob responsabilidade da INFRAERO e ANAC. Há responsabilidade do governo, sim, mesmo que ela não seja única.
Voltando ao apagão, num artigo que escrevemos a respeito, desmentimos Lula e Dilma que afirmam não haver apagão no Brasil. Tentam vender a imagem falsa de que as razões para o apagão de terça passada, se deu por causas naturais. Como o INPE já desmentiu categoricamente a versão oficial, o governo federal tenta agora abafar o caso para ver se a gente esquece.
Contudo, a continuar a situação da forma como está não será possível. E não porque a gente vai se ocupar de outros males do país governado por Lula. É porque, e disto também já falamos, os apagões tendem a continuar. Informa a Folha deste domingo que, só neste ano, o país teve 62 apagões graves, 29% a mais do que no ano passado. Os dados são do ONS — Operador Nacional do Sistema. Entre as causas, falhas na manutenção de equipamentos e infra-estrutura deficiente. A exceção da quantidade de casos, o resto já havíamos tratado aqui.
Ora, tamanha quantidade de apagões, todos relatados e localizados, com um quadro em que o clima mais do que tem sendo favorável para que eles não ocorressem, revelam que a gestão que se está fazendo do tema geração, distribuição e transmissão de energia revela incompetência e desqualificação. Vimos posts abaixo o quanto o governo Lula tem deixado de investir. E isto, para um país que quer e precisa crescer, revela um quadro sombrio. Tal cenário tem sido alertado já há algum tempo, como governo sempre se esquivando e declarando que tudo corre às mil maravilhas. Não corre. E, se o discurso não mudar, e as ações do governo não priorizarem atendimento a reformulação e recuperação da infra-estrutura do país, o apagão que se verá logo adiante será não apenas no campo da energia, mas geral.
Para que a situação não se deteriore a ponto de estancar o crescimento, ou em outras palavras, para que não tenhamos que conviver com a estagnação, de prejuízos sociais incomensuráveis, Lula e seus ministros precisam sair do palanque eleitoral em que se encontram desde janeiro de 2003, e comecem, de fato, a governar o país.
Não há propaganda oficial mistificadora que consiga encobrir a incompetência. Ela, cedo ou tarde, se manifesta. Como Lula se deu conta de que a versão sobre “causas naturais” havia naufragado diante da realidade, decretou que se investigasse as razões reais do problema. Tenta posar na foto como o governante que até agora não conseguiu ser. Seu ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, e sua ministra da Casa Civil, tentaram, de forma torpe e vigarista, decretarem um “fim de papo” para o assunto. Tentaram apagar o apagão da memória nacional. Não colou.
A cada dia que passa, Dilma confirma a fama que fez no Rio Grande do Sul: “Ela é muito competente em espalhar o boato de que ela é competente”.
Assim, esperamos que Lula adote no seu governo como prioridade, a ação de governar, e governar com competência. Com discursos e mentiras, apesar dos reservatórios cheios das hidrelétricas, não se faz a luz...