terça-feira, dezembro 22, 2009

“O que foi filmado não é o que foi filmado”

Comentando a Notícia

 
Tem gente no meio político brasileiro, que acha que o eleitorado é idiota. Bem, ele até pode ser pobre, analfabeto, morar em barraco, mas idiota, com certeza ele não é. Os vídeos que o Brasil inteiro assistiu sobre o panetonegate do Arruda, no Distrito Federal, não deixam margem a nenhuma dúvida, quanto ao envolvimento dos “seus protagonistas”. E teve de tudo: gente chegando com dinheiro em caixa de papelão, outros enfiando dinheiro em meias, cuecas, bolsos e bolsas. Uma das protagonistas, deputada Eurides Brito quer nos tomar por tolos, quando redige uma carta e manda publicar na mesma imprensa que ela tanto ataca, dizendo que o que vimos não é o que vimos.

 
Líder do governo na Câmara Legislativa do Distrito Federal, a deputada recebia todos os meses “modestos” R$ 30 mil. Ela teve o gabinete vasculhado durante a operação Caixa de Pandora. Primeira suplente do PMDB, ela tomou posse como deputada em agosto de 2007 a partir da renúncia do ex-deputado Pedro Passos. Anteriormente, Eurides foi deputada em duas legislaturas (1999 a 2006) e apoiava o ex-governador Joaquim Roriz, também acusado de corrupção.

 
Aliás, a deputada Eurides Brito, desde a legislatura passada está envolvida em investigações como a CPI da Educação. Merece uma investigação cuidadosa e apurada, sobre seu envolvimento inclusive com a agência de propaganda que atendia a Sec. de Educação na época em que ela era a Secretária da pasta.

 
Neste final de semana, a deputada divulgou na imprensa a carta de que falei acima, tentando explicar-se sobre seu envolvimento.

 
Segue a íntegra extraída do Blog do Noblat. Comentaremos depois.

 
Mensagem de Natal enviada pela deputada distrital Eurides Brito (PMDB-DF) aos seus eleitores:
“Queridos, escrevo-lhes num período em que todos costumamos estar com o nosso espírito unicamente voltado para as comemorações natalinas. Infelizmente, neste fim de ano, embora venha me esforçando, não consegui ainda me esquecer do episódio explorado pela mídia e que envolve o meu nome.

 
Acordo pensando que tive um pesadelo. Se eu não tivesse Deus como minha fortaleza, decerto não teria aguentado. Mas como confio que “Deus é o nosso refúgio e fortaleza nos tempos de angústia”, tenho procurado tocar a vida, cumprindo todas as minhas obrigações, bem como os compromissos assumidos. Não posso parar. Mas, de vez em quando sinto-me vagueando e perguntando-me por quê?

 
Por recomendação expressa de meu advogado, não devo falar sobre o assunto, até dar o meu depoimento ao Superior Tribunal de Justiça, o que espero ocorra o mais rápido possível. Como seria bom se pudesse ser hoje. Mas os procedimentos judiciais são lentos. Recomenda o advogado que não seria ético com a Justiça que eu antecipasse, por entrevistas à mídia, a minha defesa. E como é difícil.

 
É difícil principalmente porque nós, professores, somos dialéticos e tratamos, de imediato, as indagações de nossos alunos. Mais difícil ainda é ver as interpretações parciais e jocosas de alguns membros da imprensa para atos que, quando explicados, se enquadrarão em atos de campanha política. Mas eles são mostrados repetidas vezes e comentados por alguns jornalistas, da forma sensacionalista, exatamente com o objetivo de tentar a destruição moral do “suposto envolvido”.

 
Você sabe por que a expressão suposto ou suposta aparece com tanta frequência em todas as reportagens? Para livrar os órgãos de imprensa de ações penais posteriores. Mas será que existe algo que recupere isso? Por que aquela cena patética ocorrida há tantos anos atrás é misturada a fatos atuais, sem nenhuma explicação? Será que foi por que este ano fui Líder de Governo?

 
Estou pronta e ansiosa para responder na justiça quando for chamada. Tenho todos os comprovantes de todos os nossos rendimentos de 5 anos atrás para cá, os respectivos extratos bancários, bem como, as guias de recolhimento de imposto de renda. Que por sinal são públicas porque as apresento anualmente à Câmara Legislativa (a minha e do meu marido).

 
Este esclarecimento preliminar, julgo importante passar a você, meu amigo, meu irmão e muito especialmente àqueles que por me conhecerem, saberem como vivo, como trabalhamos meu marido e eu, como me comporto, solidarizaram-se comigo e estão orando por mim.

 
Vamos ao Natal que foi e será sempre o maior acontecimento de todos os tempos. Deus enviou o Seu Filho, para que, por intermédio Dele, pudéssemos ter a salvação. Portanto, minha mensagem a você e familiares é: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem Ele quer bem (S. Lucas 2:14). Feliz Natal.”

 
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Primeiro, antes de eu acrescente ou opine qualquer coisa, assistam ao vídeo que foi entregue por Durval Barbosa à Polícia Federal.

 


 

Agora sim, vamos a análise das alegações da deputada. Tirando-se o chororó costumeiro, que todo o político tem e o cinismo habitual com que se apresentam quando flagrados no ato, há algumas questões que a “nobre” deputada não esclarece. Sua obsessão era tamanha em descarregar na imprensa sua frustração por conta da investigação da PF havê-la apanhado, que acabou se “esquecendo” de algumas questões fundamentais, que enumero a seguir:
  •  Primeiro, não foi a imprensa quem filmou. Foi Durval Barbosa.
  •  Segundo, quem divulgou e vazou o vídeo não foi a imprensa. A imprensa fez o seu papel que foi noticiar alguém pegando um maço grande de dinheiro, em espécie, e em seguida guardá-lo na bolsa. 
  • Terceiro, se o valor recebido era legal, dada a quantidade recebida, por que não usar, até por segurança, a rede bancária? 
  • Quarto, se o valor recebido era de natureza legal, o vídeo não mostra a deputada, em momento algum, assinando o competente recibo para, no futuro, prestar contas. 
  • E, por último, quem a declara suspeita de corrupção, e este é o crime de que é acusada, não é a imprensa, é a Polícia Federal nas investigações que realizou. 
Se houve armação neste caso, quem deve ser recriminado não é a Imprensa que apenas se conteve em noticiar uma investigação federal. E, sim, o funcionário que vazou tudo para ser divulgado, e não cumpriu, deste modo, o dever de manter o sigilo funcional. Ou o cinegrafista que, tanto quanto se saiba, nunca frequentou redação de jornal.

Vai se pronunciar na Justiça? Ótimo, se a justiça entender que a deputada é inocente, a imprensa não se cansará de divulgar a sentença. Até lá, contudo, há muita suspeita para ser esclarecida e investigada, e explicação para ser dada pela deputada, e não a imprensa que, no caso, apenas cumpriu .o seu papel.

Mas, por favor, deputada: não nos tome por idiotas. Sua carta, pelo que ela contém, deve ser arquivada por todos os seus eleitores no lugar que merece: na lata do lixo.