Petrobras reajustará preço do gás
Wellington Bahnemann, AE, A Gazeta (Cuiabá/MT)
O gás natural boliviano vendido pela Petrobras às distribuidoras estaduais de gás deve ser reajustado em 7,5% no início deste mês, segundo fonte a par do processo que preferiu não ser identificada. Com isso, o preço do insumo boliviano dever ficar em US$ 7,03/MMBTU no primeiro trimestre de 2010, contra os US$ 6,55/MMBTU apurados no quarto trimestre de 2009. O novo preço do gás boliviano deve ser informado pela estatal às concessionárias dentro de alguns dias.
O reajuste neste primeiro trimestre decorre da valorização das cotações do petróleo e do óleo combustível no mercado internacional nos últimos meses. Isso tem influência no preço do gás porque a fórmula de reajuste está atrelada a uma cesta internacional de óleos combustíveis, considerando uma média dos últimos seis meses. A Petrobras ajusta o preço do gás boliviano trimestralmente.
Em 2009, o valor chegou a registrar queda diante das baixas cotações do petróleo durante a crise global. Apesar do novo reajuste, o repasse da alta do preço do gás boliviano aos consumidores depende da política comercial de cada uma das distribuidoras que compram o insumo. Hoje, o gás da Bolívia é distribuído no Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. As três concessionárias paulistas, que são a Comgás, a Gas Natural São Paulo Sul (SPS) e Gas Brasiliano, não repassarão o aumento neste momento. Isso porque, no Estado São Paulo, os reajustes tarifários são anuais e na data-base dos contratos de concessão. Na Gas Brasiliano, em dezembro.
Enquanto isso...
Retomada do abastecimento não tem revisão
Vívian Lessa, Especial para A Gazeta (Cuiabá/MT)
A retomada no abastecimento do gás natural boliviano a Mato Grosso ainda não tem previsão. A afirmação foi repassada nesta sexta-feira (8) pelo secretário de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme), Pedro Nadaf, ao informar que a chegada do combustível ao Estado depende de uma autorização formal da Agencia Nacional de Hidrocarburos (ANH), da Bolívia. Ele confirma que já foram assinados os documentos entre a GasOcidente e a Termelétrica Mário Covas, ambos administrados pela Empresa Pantanal Energia (EPE), para garantir o transporte do gás até Cuiabá. Esses contratos, porém, têm validade somente até o dia 31 deste mês.
O secretário explica que são necessários cerca de 15 horas para que o gás chegue aos 6 postos de combustível do Estado, a partir do momento em que a ANH liberar o fornecimento do produto. "Esse tempo é necessário para comprimir o gás e levar às revendedoras".
Enquanto isso, os motoristas de veículos adaptados ao gás terão que continuar optando pelo outro combustível. A falta do produto já dura 39 dias. O impasse teve início em dezembro do ano passado quando o governo anunciou que a Térmica e a GasOcidente não haviam renovado o contrato para o transporte do produto.
Em justificativa, o diretor-presidente da EPE, Fábio Garcia, reafirma ser inviável para a Usina continuar bancando os gastos com gasoduto, que mensalmente totaliza em torno de R$ 2 milhões. De acordo com ele, desde as últimas semanas o governo do Estado, EPE e GasOcidente estão se reunindo para discutir um novo contrato de transporte do gás. O contrato temporário divulgado no dia 15 de dezembro de 2009 previa nos próximos dias o transporte de 20 mil m3 de gás por dia para abastecer os clientes da MT Gás.
De acordo com o governo, a cúpula formada irá buscar soluções tanto para o restabelecimento do fornecimento do gás ao mercado estadual quanto para a geração de energia na Usina Termelétrica de Cuiabá. O secretário da Sicme, no entanto, não descarta a possibilidade de que, se restabelecendo o fornecimento do combustível neste mês, o gás volte a faltar já no início de fevereiro.
Mato Grosso tem um contrato firmado com a estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos e Fiscales Bolivianos (YPFB) garantindo o fornecimento de 35 mil metros cúbicos diários de gás durante 10 anos, assinado em setembro de 2009. Mas o diretor-presidente da EPE, acredita que a situação do mercado local depende do funcionamento da térmica. "Não vejo outra alternativa para o Estado se tratando do comércio de gás se a Usina não estiver em operação".
***** COMENTANDO A NOTICIA:
De um lado, se reajustam os preços para garantir o abastecimento. Depois de conquistado o reajuste, não se garante mais o abastecimento.
Contradição? Não, canalhice da pura. É que, por contrato, o governo brasileiro, gastando ou não um volume mínimo previsto, pagará o preço mesmo que não utilize 100% da cota. Assim, mesmo que a Bolívia não disponibilize para nós o gás comprometido, azar o nosso. Eles vendem o excedente para Argentina, por exemplo, e acabam ganhando duas vezes sobre o mesmo produto. E o governo brasileiro só diz “amém”. Em outras palavras, é o dinheiro que o governo arranca a força dos brasileiros, que sustenta a incompetência do Morales na Bolívia.
E esta gente tem a cara de pau de se dizer nacionalista !!! Santo Deus!!!