domingo, setembro 19, 2010

A casa da Mãe Rousseff

Fernando de Barros e Silva, Folha De S. Paulo

A queda de Erenice Guerra é a primeira baixa do governo Dilma Rousseff.

Parece estranho, mas isso é verdade em pelo menos dois sentidos.

Primeiro, há indícios de que a artilharia contra a ministra foi estimulada por aliados da candidatura petista, em busca de espaço na futura administração.

Segundo, e mais importante, porque Erenice Guerra deve sua vida política nos últimos oito anos e o cargo que ocupou até ontem exclusivamente a Dilma Rousseff.

Lula relutou antes de confirmar Erenice como ministra quando Dilma se lançou candidata. Acabou cedendo ao apelo, mas fez de Miriam Belchior, a quem preferia no cargo, a coordenadora do PAC.

Não é plausível que Lula ignorasse a parentela pendurada no Estado que a titular da Casa Civil trazia a tiracolo. Onde estava o serviço de inteligência do Planalto? Ocupado com dossiês a respeito de quem?

Até para um leigo parece óbvio que os negócios da família Guerra não resistiriam a um raio-x elementar.