***** Escândalo na Casa Civil: Procurador vê indício de tráfico de influência e pede investigação sobre compra do Tamiflu
BRASÍLIA e RIO. O procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Marinus Marsico, pedirá abertura de investigação nos contratos de compra do Tamiflu (medicamento contra a gripe suína), porque considera que as denúncias são graves e precisam ser apuradas. Marsico vê indícios de tráfico de influência. A investigação da denúncia feita pela revista "Veja" ficará a cargo da Polícia Federal e do TCU.
- Pela sucessão de indícios, observamos que há realmente tráfico de influência. É difícil que cada fato desses seja apenas uma mera coincidência - afirmou o procurador ao "Jornal Nacional", da TV Globo.
Segundo a revista, funcionários da Casa Civil teriam recebido, em 2009, propina pelo contrato emergencial de compra do Tamiflu. Entre os funcionários, estaria Vinicius de Oliveira Castro, apontado como sócio de Israel Guerra, filho da ex-ministra Erenice Guerra.
A denúncia, segundo a revista, partiu de Marco Antônio Oliveira, tio de Vinícius, e ex-diretor dos Correios, demitido do cargo por Erenice. A declaração de Marco Antônio foi gravada, de acordo com a revista.
Neste sábado, os ministros José Gomes Temporão (Saúde) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais) negaram qualquer irregularidade na compra do Tamiflu.
***** Mistério
Renata Lo Prete, Folha De S. Paulo
A candidata do PT chamou de "terreno na lua" o projeto da empresa de Campinas emparedada pelo lobby do filho de Erenice.
Faltou explicar por que então a Casa Civil, à época comandada por Dilma, permitiu que funcionários da Presidência tratassem desse projeto em horário de trabalho e marcassem audiência oficial com a secretária-executiva.
**** Até a amiga Dilma virou as costas a Erenice
Cláudio Humberto
Dona dos mais bem guardados segredos do presidente Lula e da ex-chefe e antecessora Dilma Rousseff, a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra é um poço até aqui de mágoas. Ela se sentiu abandonada quando tentou falar com a amiga e candidata do PT a presidente, ao menos por telefone, quando era pressionada pelo ministro Franklin Martins (Propaganda) a se demitir. Mas foi inútil.
Como não conseguia nem mesmo falar com Dilma, Erenice percebeu que estava só e “pendurada na brocha”, diz um amigo da ex-ministra.
O sentimento de abandono de Erenice chegou ao conhecimento de Lula. O governo deve tentar blindar a ex-ministra.
Falta de sorte da candidata Dilma. Mal torceu o pé direito, agora está com dor de cotovelo...
Parodiando Vinícius de Moraes com Lulinha, Lurian e agora Israel: “filhos, melhor não tê-los, mas se não os temos, como sabê-los?”
***** Personagem do escândalo estreou com Sarney
É personagem típico de Brasília o coronel aviador Arthur Rodrigues da Silva, que saiu da empresa aérea de cargas MTA, deixando-a aos cuidados da filha, para assumir a diretoria de Operações dos Correios, que contratou a mesma MTA por R$ 59,8 milhões. Ele começou a vida como ajudante de ordens do presidente José Sarney, no Planalto, onde deve ter aprendido muito sobre os caminhos do poder em Brasília
***** Servidora vendia violação de sigilos
Folha de São Paulo
A funcionária do Serpro, Adeildda dos Santos, responsável pelo computador no qual foi quebrado o sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outras pessoas ligadas ao partido e acessados dados de 2.900 pessoas, informou que recebia "agrados financeiros" de três contadores. Segundo ela, os pagamentos recebidos eram de R$ 50 a R$ 100, e foi o servidor da Receita, Júlio Bertoldo, quem lhe apresentou os contadores e pediu que fizesse os serviços, porém, ele nega. A servidora foi indiciada sob a acusação de corrupção ativa, entre outros crimes.
***** Família 'blindou' corrupção no Amapá, diz Polícia
João Carlos Magalhães, Folha. com
Ao assumir em março o governo do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP) fez como seu antecessor e apoiador, Waldez Góes (PDT), e envolveu quase toda a sua família nos diversos canais de corrupção identificados pelas investigações da Polícia Federal.
Sua mulher, Denise Carvalho, assumiu a Secretaria da Inclusão e Mobilização Social. Na chefia de gabinete dessa pasta ficou Solangelo Fonseca, cunhado de Dias.
Benedito Dias, seu irmão, se tornou secretário especial da Governadoria, bem próximo ao governador. O cirurgião Eupídio, outro irmão, foi para a Secretaria da Saúde.
Um "parceiro" seu, segundo a PF, Sebastião Máximo, virou secretário de Planejamento, Orçamento e Tesouro. Todos esses órgãos estão no centro das dezenas de supostas fraudes detectadas pelas investigações da PF.
As apurações da PF apontaram para um suposto esquema de desvios de recursos públicos no Estado. Na semana passada, 18 pessoas foram presas -- entre elas, Góes e Dias continuam detidos em Brasília.
Essa estratégia de lotear cargos de maior importância com familiares era comum nos sete anos em que Góes foi governador.
Com ele, dizem os policiais, chegou a ter 60 membros de seu clã empregados no governo.
***** O “factoide”, o “fato sem importância” e a “manobra eleitoreira” derrubaram Erenice
Por Lauro Jardim
O governo e a campanha de Dilma Rousseff bem que tentaram blindar Erenice Guerra nos últimos dias. As revelações de VEJA e de vários jornais a partir do fim de semana foram qualificadas de “factoide”, “fato sem importância”, “manobra eleitoreira” etc. Mas não deu. Erenice teve que se mandar. Eis uma pequena seleção de tentativas de defender o indefensável, a partir de declarações publicadas nos jornais dos últimos dias:
• Dilma Rousseff:
Eu tenho até hoje a maior e a melhor impressão da ministra Erenice.
Acho essa denúncia mais um factoide.
O que se tem publicado é uma acusação contra o filho da ministra. Esta acusação contra o filho da ministra o governo deve apurar de forma rigorosa, e deve avaliar se houve ou não tráfico de influência. Se houve, tem de tomar as providências mais drásticas possíveis. No caso da ministra Erenice, foi feita uma acusação, ela foi desmentida e o que se tem hoje ainda é exatamente nada.
Acho que isso cheira a uma manobra eleitoreira, feita sistematicamente contra mim e contra a minha campanha.
Não vou admitir qualquer tentativa de transformar problemas havidos com filhos de pessoas do governo (em problemas da campanha)… quem faz isso perde o respeito do povo brasileiro. E perde a trajetória digna construída na política. O povo brasileiro e a História são implacáveis com quem calunia sem provas.
• José Eduardo Dutra:
Não significa também que ela, Erenice, tenha culpa.
O que não dá para ter é um cenário onde um grupo de pessoas denuncia, apura, indicia e condena.
• Luiz Paulo Barreto:
* Conversei hoje com a ministra. Ela está muito tranquila e pediu apuração.
• Cândido Vaccarezza:
Esse é um assunto que não vai durar mais que dois dias.
* Fernando Ferro, líder do PT na Câmara:
Esse é um fato que já perdeu a importância.
***** TRE suspende fundo partidário do PV
Folha de São Paulo
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo suspendeu, desde ontem (16), a transferência de novas cotas do fundo partidário ao diretório regional do PV, e determinou o recolhimento ao fundo dos recursos de origem não identificada, avaliados em R$ 332.603,89. A decisão permanecerá por um mês e é devido à desaprovação pelo TRE das contas anuais do partido relativas ao ano de 2006. Segundo o TRE, a prestação de contas do PV apresentou diversas irregularidades, como a não comprovação de R$ 81.774,67 de contribuições de filiados e R$ 31.201,72 de parlamentares.
***** BC gasta U$ 5bi para segurar dólar
Patrícia Duarte, O Globo
O Banco Central (BC) acelerou como nunca as compras de dólares no mercado à vista entre os dias 9 e 16, desembolsando cerca de US$ 5 bilhões para frear a desvalorização do dólar frente ao real.
Trata-se de um montante equivalente a um quinto das aquisições feitas nos 251 dias de 2010 até então. O volume bate até mesmo o recorde mensal do ano, registrado em maio, quando as intervenções monetárias do BC somaram US$ 4,172 bilhões em 31 dias.
A autoridade monetária tem atuado com mais força no câmbio diante da forte valorização do real frente ao dólar, que está próximo de R$ 1,70.
Além de ser um movimento mundial, no Brasil também pesam as expectativas com a entrada de mais moeda americana, até o fim do mês, com a capitalização da Petrobras, que pode atrair entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões.
*****RJ: PF faz operação contra uso de cargo público para fins eleitorais. E, em Brasília, não vai olhar não?
A Polícia Federal do Rio realizou nesta sexta (17) uma operação para combater o uso de cargo público para fins eleitorais, bem como corrupção, prevaricação, formação de quadrilha e falsidade ideológica. A operação, batizada de "Cebus Apella", cumpre 15 mandados de busca e apreensão e três de prisão preventiva, sendo dois contra policiais rodoviários federais. Segundo a PF, por ordem judicial, também foi determinado o afastamento de outros agentes públicos de seus cargos.
***** Papel de compadre de Lula na crise intriga o MP
O Ministério Público Federal está intrigado com a proximidade do advogado Ricardo Teixeira, compadre do presidente Lula, nos vários negócios que resultaram nas denúncias de tráfico de influência envolvendo a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e seu filho lobista Israel Guerra. Teixeira foi quem indicou o atual diretor de Operações dos Correios, Arthur Rodrigues, personagem da crise.
Primeiro, Veja revelou tráfico de influência na Casa Civil para a MTA (empresa aérea) ganhar um contrato de R$ 59,8 milhões nos Correios.
Arthur Rodrigues deixou a empresa aérea MTA com a filha e assumiu a diretoria de Operações dos Correios por indicação de Roberto Teixeira.
O compadre de Lula tem livre acesso à Casa Civil do Planalto, desde tempos de Dilma Rousseff e Erenice Guerra. Nem se faz anunciar.
Não é novidade a lambança política por bons negócios nos Correios. Basta reler a CPMI, de 2005. Mudam só nomes, empresas e lobistas
***** Ameaça ao Estado de Direito: sociólogo alerta para penetração do crime no país
Folha de São Paulo
Para o sociólogo Claudio Beato, Coordenador do Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública da UFMG, a existência de candidatos ligados a facções criminosas pode contaminar as instituições políticas com a inserção do crime organizado. Segundo ele, o remédio para esta ameaça está na própria democracia. Confira sua entrevista publicada na “Folha de S. Paulo” de 17 de setembro:
“Folha – A polícia suspeita que o candidato a deputado Ney Santos (PSC) tenha ligações com o PCC. A penetração na política é uma meta do crime organizado?
Claudio Beato – Estamos assistindo a uma evolução na organização da criminalidade no Brasil. Isso não ocorre só com o PCC. O fenômeno das milícias, no Rio, é outro exemplo de que o crime organizado está buscando representação política. A busca por penetração na Câmara mostra que passamos a uma nova etapa da estruturação do crime.
Isso é preocupante?
Estágios anteriores de estruturação das organizações criminosas levam a problemas para as comunidades. É nessa nova etapa que começa a haver uma contaminação mais acentuada das instituições públicas. Isso é que é muito preocupante. Se olharmos para outros países, sempre vamos achar exemplos de algum momento em que houve essa mistura da política com a criminalidade.
Estamos longe de chegar a uma situação como a que houve na Colômbia cerca de 15 anos atrás. Mas precisamos prestar muita atenção para esse novo fenômeno.
Quando o crime organizado chega a esse estágio de estruturação, que tipo de resposta o Estado precisa dar?
O principal antídoto é o funcionamento das instituições democráticas, tal como está ocorrendo no momento. É preciso identificar claramente o fenômeno, ver quem está envolvido, apontar os elos. Enfim, manter a a polícia investigando e a Justiça funcionando. De uma forma geral, as instituições têm reagido bem.”
***** Crime antigo
O jornalista Joelmir Beting, âncora do telejornal da Band, disse que o escândalo na Casa Civil é a reincidência de um velho crime de autoridades governamentais – o de formação de família.
***** Caridade com dinheiro alheio: Banco Mundial aprova empréstimo de US$ 200 mi para o Bolsa Família
Mário Sérgio Lima, Folha de São Paulo
O Banco Mundial anunciou nesta sexta-feira que aprovou um empréstimo de US$ 200 milhões para a segunda fase do programa de apoio ao Bolsa Família. Segundo a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes, o novo financiamento se integra ao processo de aperfeiçoamento do programa.
De acordo com o Banco Mundial, a primeira fase do programa de apoio teve um empréstimo de US$ 572 milhões, aprovado em 2004, para auxiliar a desenvolver e fortalecer o Bolsa Família. Para o diretor do Banco Mundial no Brasil, Makhtar Diop, o apoio é importante porque o Bolsa Família tem um caráter de rede de proteção para as camadas mais pobres.
Esse novo empréstimo de US$ 200 milhões, acredita o Banco Mundial, poderá fortalecer ainda mais a capacidade de o Bolsa Família alcançar os objetivos sociais propostos e reduzir as desigualdades.
***** "Quem soube desse novo escândalo da Casa Civil?", pergunta Serra em comício em Sergipe
Fábio Guibu, Folha de São Paulo
O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, desistiu ontem de estender um comentário sobre o caso de tráfico de influência na Casa Civil do governo Lula --que resultou na saída de Erenice Guerra, ex-braço-direito da candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff-- ao perceber que poucas pessoas tinham conhecimento do caso, durante comício em Itabaiana (a 56 km de Aracaju, SE).
"Quem soube desse novo escândalo na Casa Civil?", perguntou ele à plateia, formada por cerca de mil pessoas. Poucos levantaram a mão. Serra ainda insistiu: "Um escândalo grave, centenas de milhões de reais". E logo mudou de assunto.
O tucano usou a maior parte do seu discurso para se apresentar às pessoas como um político experiente, realizador, amigo dos nordestinos e criador de alguns dos programas sociais ampliados pelo atual governo.
Num palanque improvisado sobre um trio elétrico na rua, ele usou chapéu de couro e cantou um trecho de "cintura de pilão". Disse que enfrentava uma "máquina gigantesca no Brasil inteiro", que fazia campanha sem "patrono ou patrocinador", mas que não perderia o seu tempo falando do adversário.
Serra voltou a prometer salário mínimo de R$ 600 no próximo ano e foi aplaudido. Disse então que também elevaria o valor do Bolsa Família. Ele já havia prometido meses antes dobrar o número de beneficiados pelo programa.