segunda-feira, setembro 27, 2010

O bom senso expulsa a baixaria

Villas-Bôas Corrêa

A medíocre campanha eleitoral, com o resultado antecipado pela folgada liderança em todas as pesquisas da candidata Dilma Rousseff, lançada pelo presidente Lula e apresentada ao distinto eleitorado como a garantia da continuidade dos seus oito anos de dois mandatos, guardou para véspera do primeiro turno, em 3 de outubro, o espetáculo do bom senso que abafou a troca de farpas, insinuações e denúncias de velhacaria trocadas entre o candidato tucano de oposição, José Serra e a tropa de choque oficial, com a vanguarda do PT.

De um dia para o outro, de ontem para hoje as acusações no figurino de todas as ditaduras, em especial da dos 20 anos da ditadura militar dos cinco generais-presidente, que cassou 103 mandatos parlamentares, numa bofetada no rosto do eleitor que votou e foi arrastado ao ridículo, deram uma cambalhota no picadeiro e caíram em si, o que o pior dos tombos. A pregação golpista da censura à imprensa – que é um golpe mortal na democracia, que não existe sem ela – cancelou a patuscada da marcha, com o apoio de jornalistas e até de líderes sindicais para a pregação da liberdade de imprensa, com destaque para a dupla inseparável formada por Lula e Dilma.

E foi na tribuna de um comício em Porto Alegre, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de duas semanas de críticas e ataques à imprensa, empunhou a bandeira branca da reconciliação. E não fez por menos, foi categórico na defesa da liberdade de imprensa: “numa democracia, cada um fala e escreve o que quiser, cabendo ao povo o julgamento final”. E na mesma purgação do pecado: “a imprensa é muito importante para a democracia.” Era pouco, foi adiante: “A gente fica zangado quando falam mal da gente, e feliz quando falam bem. A gente ter humildade e não ficar zangado quando fala mal ou só feliz quando fala bem”.

A candidata Dilma, pelo visto, não estava informada da virada do presidente Lula. Dos jornalistas que se entusiasmaram com o controle da imprensa não há notícia de um arrependimento. Mas, jornalista que defende a censura à imprensa, pode ficar calado. E melhor do que imitar o presidente.