Adelson Elias Vasconcellos
O que se leu abaixo, é a reprodução da excelente postagem do jornalista Reinaldo Azevedo, na qual o jornalista nos informa sobre a ação truculenta da Polícia Militar do estado do Tocantins, na sua tentativa de impedir a circulação da Revista Veja em que se informava, em todas as letras, a existência de uma quadrilha no entorno do governador daquele estado, Carlos Gaguim, sendo ele próprio o comandante do bando.
É bom que se saiba que a revista Veja não estava enquadrada entre os 84 veículos que o Juiz Liberato proibiu de dar notícias sobre o caso. Portanto, não poderia de forma alguma ser impedida de circular. Porém, numa mistura tanto ilegal quanto ordinária, o governador Guagim, se apropriou de uma instituição do Estado para seu uso exclusivamente pessoal.
É claro que a censura abençoada pela decisão estúpida do Juiz Liberato, que diga-se, pertence ao rol de amigos do governador, serve como escudo para que Gaguim possa permanecer, aos olhos da opinião pública do Tocantins, como merecedor de confiança e de voto. Não pode e não merece. Este cidadão, fosse este um país sério, zeloso do cumprimento da lei e da probidade administrativa de seus agentes públicos, ou deveria estar preso ou impedido de permanecer exercendo seu mandato. Não há que se falar em tolerância para aqueles que se valem de seu mandato para trair a confiança do eleitor. Repugna, sob todos os pontos de vista, a exemplo do comportamento de Lula e seus bando de mercenários, militantes partidários ou sindicalistas, todos sustentados pelo dinheiro público sem que a sociedade assim aprovasse, ou de seu aliado no Maranhão e Amapá, José Sarney que, diga-se, ambos são aliados políticos do governador do distante estado do Norte, o Amapá, onde a Polícia Federal desbaratou, prendeu e mostrou as entranhas do poder dentro do mesmo script do que hora se vê no Tocantins, ou como se viu em 2009 no Distrito Federal, na figura patética de Roberto Arruda, ou, no distante 2005 no caso do Mensalão, a volúpia insaciável e incurável com que estas ratasanas agem no submundo do poder para se locupletarem. Que bandidos desta laia assim procedam, seria impossível evitar. Há criminosos deste tipo em todos os países, de todos os níveis, de todas as cores e condições sócioeconômicas. De estarrecer é, contudo, juízes serem mantidos em seus cargos quanto sobre eles se arrastam investigações sobre venda de sentenças. Se o processo está aberto, a primeira providência seria afastá-los até que o processo se encerre. Sem tal providência preventiva, o que se vê, é o uso de instituições do Estado da forma espúria como ora se assiste no Tocantins, além de juízes decretando medidas inconstitucionais contra as quais a sociedade se indigna e repudia.
O lamentável, senhores, é que este quadro dantesco vem se acentuando e se agravando de alguns anos para cá, colocando em risco a ainda frágil democracia brasileira. Frágil, sim, porque está visto que nossas instituições estão contaminadas por agentes do crime ou por servidores que lá estão para lhes oferecer proteção à sua delinquencia. Fatos como estes vem se repetindo no atacado da criminologia política brasileira. E citei o caso do mensalão acima, porque a até hoje impunidade que se mantém sobre seus protagonistas, serviu de escopo e de encorajamento para que a pratica bandida se disseminasse nos quatros cantos do país, em todas as esferas da vida pública. Assim, enquanto o Judiciário permanecer – ele também contaminado – passivo e inerte diante destes escândalos que nos envergonham, enquanto solertes e costumeiros negócios de porão foram sendo feitos sob a cumplicidade escandalosa das principais autoridades públicas do país, enquanto crimes contra o erário foram e são cometidos nas ante-salas do poder e, posteriormente, acobertados por investigações diversionistas, o Brasil mais se decompõem moralmente.
É por isso que afirmo que esta eleição presidencial precisava marcar um divisor de águas na nossa história, porque o que está em jogo não é quem vai dar mais dinheiro curto para o pobre e o miserável. Isto já é uma realidade anterior a Lula, e ninguém com juízo perfeito será capaz de cortar esta corrente. Não se trata de saber quem pode fazer mais, ou quem pode prometer menos.
Trata-se de um plebiscito sim, mas de valores, não de realizações no campo dos serviços públicos degradados ao extremo. Valores em que a ética – da qual os candidatos parecem ter vergonha em enunciá-la – seja a principal protagonista e o fio condutor de toda a atividade pública brasileira. Porque, se o eleitorado não se der conta deste princípio elementar em qualquer jogo político, é sinal de que o país não aprendeu as lições de seu passado recente, e também não aprendeu a se valorizar a si mesmo. Há muito cidadão honesto neste Brasil do início do século XXI, trabalhador, dedicado, esforçado por se melhorar individual e coletivamente, e que se repugna diante deste mar de lama que encobre o país de norte a sul.
Ao ler analistas que afirmam que somente uma hecatombe derrubaria a candidatura governista, sinto calafrios: o caso criminoso da VARIG, o mensalão, os aloprados, as cartilhas, os sucessivos escândalos da Casa Civil, a vergonhosa operação Brasil Telecom/Oi, foram e são as hecatombes que derrubariam qualquer governo. O que, de fato aconteceu, é que estas ações repugnantes foram tão violentas que tiveram o dom de engolirem a consciência crítica brasileira. Não se precisa de outras tantas, elas já aconteceram e fizeram com que a sociedade brasileira passasse a admitir que, no seio da vida pública nacional, o crime, qualquer crime, compensa, principalmente se os envolvidos forem amigos e aliados do rei. Infelizmente, o Bolsa Família está se tornando a propina com que a elite política e econômica estão comprando a consciência da sociedade. Há um pleno desmanche moral. Conclusão: mais e mais o Brasil se parece com o pior de um estado fascista.