segunda-feira, setembro 27, 2010

Vergonha: Morre obesa que esperou mais de 12 horas em ambulância

Débora Gares, O Globo

Morreu neste domingo a dona de casa Sebastiana Pinheiro da Silva, de 65 anos, que sofria de obesidade mórbida, e que chegou a esperar mais de 12 horas em ambulância por falta de atendimento adequado _ ela pesava mais de 300 quilos_ em unidade da rede hospitalar do Rio de Janeiro.

O corpo será enterrado neste domingo, às 16h30m, no Cemitério do Pacheco, em Alcântara, São Gonçalo.

A prefeitura da cidade cedeu duas covas e uma urna especial para que o procedimento possa ser feito e já há dois carros de bombeiro no Hospital Estadual Alberto Torres, onde ela estava internada, para fazer a remoção.

Sebastiana passou mal em casa na noite da última quinta-feira e teve de esperar por vaga em hospital público.

Segundo os familiares, ela veio a falecer devido a uma hemorragia gastrointestinal e problemas cardíacos.

A prefeitura de Tanguá também doou uma urna de tamanho especial e o deslocamento do corpo para o cemitério.

-O mais impressionante é que ela já tinha trabalhado como enfermeira da Cruz Vermelha, já prestou serviço salvando vidas e, quando chegou a sua hora de ser ajudada, foi largada dentro de uma ambulância – reclama Marcos Almeida, representante da família.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

É isto aí: o povo brasileiro continua simplesmente abandonado pelos serviços públicos em nome dos quais nos arrancam cinco meses de salário por ano.

Querem saber? Fosse familiar desta senhora, teria dado um jeito de colocá-la sentada na cabeça do Ministro da Saúde. Talvez pelo peso, ele tivesse providenciado que seu Ministério se tornasse menos omisso e incompetente. Não há justificativa para tanto descaso.

Há poucos dias, uma recém nascida, em Goiás, morreu por falta de atendimento e interesse das autoridades. Enquanto o governo se nega em pagar salários mais decentes para os médicos que, em última análise, devem cuidar da vida das pessoas, fica distribuindo cargos para salafrários sem competência e sem qualificação, sem formação técnica, agraciados apenas por sua condição de sindicalistas da CUT. Nesta situação, infelizmente, há milhares de vagabundos ganhando duas a três vezes mais do que qualquer médico que se aventure em atender pacientes da rede pública. É um escárnio.