quarta-feira, setembro 29, 2010

Produtos brasileiros perderam espaço nas prateleiras das lojas

Comentando a Notícia

A repórter Marina Araújo apresentou uma reportagem no Jornal Nacional, da Globo, que vem de encontro ao problema que a supervalorização tem provocado, que aqui e outros especialistas econômicos têm levantado, mas que até agora o governo menosprezou e não deu a devida importância: as importações estão tomando nas lojas dos produtos nacionais.

Tudo bem que o dólar baratinho ajuda a conter a inflação, permite que a classe média viaje ao exterior e gaste como nunca antes, mas há um limite para tudo.

Volta e meia a gente ouve do governo que as reclamações contra o real valorizado está sendo acompanhado de perto pelo governo, que os produtores brasileiros também devem procurar aumentar sua produtividade para poder competir, e por aí se desfia um rosário de justificativas, de leitura positiva para a atual situação do câmbio, e etc.

Quando o governo vem com a ladainha de que os produtores brasileiros devem procurar aumentar sua competitividade para poderem competir com os estrangeiros, a gente não sabe se ri da piada, ou se chora de raiva de tamanha inconsequência.

Ora, digam lá, como competir quando:

a.- o Brasil pratica os juros mais altos do mundo, como buscar financiamento para melhorar sua competitividade?

b.- Temos uma carga tributária que, se não é a mais elevada do mundo em relação ao PIB, é com certeza a mais burra porque, além de obrigar as empresas a pagarem imposto de forma antecipada, isto é, antes de gerarem a própria riqueza por sua atividade, o que já seria uma estupidez, acabam entregando seu capital de giro ao governo, e se vem punidos pelo sistema tributário em vigor já que a carga incide pesadamente sobre a produção e o trabalho;

c.- Além disto, o empresário aqui se vê cercado de uma insegurança jurídica impressionante, pela mutação constante das regras do jogo, o que os obriga a contratarem assessorias especializadas para se manterem dentro da lei, o encarece seus custos finais;

d.- Impossível competir contando com infraestrutura deteriorado e um sistema burocrático irracional.

e.- E o cerco se fecha na medida em que o empresário já tem dificuldades de encontrar profissionais qualificados, uma vez que o sistema de ensino não prepara jovens para a necessidades atuais do mercado do trabalho.

Daria para incluir outras tantas, mas estas já se destacam o suficiente para demonstrar que, se o dólar está desvalorizado também em outras partes do mundo, não é uma exclusividade nacional, entretanto, em outras partes do mundos os governos tem adotado medidas para verem seus produtos perderem espaço no comércio internacional, além de procurarem dar uma certa segurança para seus produtores locais não perderem espaço, e a questão cambial acabar gerando emprego e renda no vizinho.

Venho cantando esta pedra já faz algum tempo. Agora, parecem que uns e outros começaram a se dar contar dos efeitos danosos para o país é a manutenção do real supervalorizado, e a tal ponto que a redução dos superávits da balança comercial tem se acentuado em alta velocidade.

Passa da hora da autoridade econômica agir para que o país não veja seu crescimento interno prejudicado pela omissão dos governantes. A seguir assistam à reportagem com o vídeo do Jornal Nacional. Logo em seguida, assistam outro vídeo, este de maio deste ano, quando o dólar estava cotado a R$ 1,86 – hoje está em R$ 1,70 - e com os mesmos alertas que, como se vê, continua sendo ignorado pelo governo.

Além do desarranjo que a questão pode provocar nas contas públicas, há outro motiva mais grave para o qual o governo deve estar atento no sentido de evitar: desindustrialização. Não podemos correr este risco.

Seguem a reportagem e os vídeos.

Hoje, 80% das mercadorias têm o nome da China na etiqueta. O objetivo do país não é só produzir muito. É manter seus produtos baratos em dólares. Para isso, o governo controla com mão de ferro o câmbio, impedindo que ele se valorize.



Numa loja de bolsas num shopping em São Paulo, os produtos brasileiros andam perdendo espaço. Há três anos, as bolsas vendidas eram nacionais.


Hoje, 80% das mercadorias têm o nome de outro país na etiqueta: Made in China ( feito da China) . A explicação é uma só: as bolsas de lá são mais baratas.

O negócio da China não é só produzir muito. É manter seus produtos baratos em dólares. Para isso, o governo controla com mão de ferro o câmbio, impedindo que ele se valorize.

Com a crise mundial, a receita passou a ser imitada por muita gente. Depois de seis anos ausente, o Banco Central japonês despejou 20 bilhões de yens no mercado, para impedir a alta de sua moeda.

A Coreia do Sul tem intervindo diariamente no mercado para segurar as cotações. O mesmo feito por Taiwan e pela Tailândia. A Europa segue o mesmo caminho, até a Suiça resolveu impedir que sua moeda se valorizasse, o que não fazia há oito anos.

Hoje, o ministro da Fazenda resumiu: há uma guerra. “Então, vivemos hoje praticamente uma guerra comercial, uma guerra cambial, porque o câmbio é hoje um dos fatores importantes para determinar a competitividade ou não dos produtos”.

A afirmação ganhou a capa do jornal Financial Times na internet. O tio Sam tem um papel central para evitar que a economia americana chegasse ao fundo do poço, Obama despejou trilhões de dólares no mercado e baixou os juros.

O dólar perdeu força, não apenas diante do real, mas da maioria das principais moedas. Com o dólar fraco, também eles, os produtos ‘Made in USA’, se tornaram mais atraentes.

Os Estados Unidos não só disputam espaço em mercados aquecidos, como o brasileiro -- mas também compete com os produtos brasileiros lá fora.

“Para ganhar esses mercados, obviamente uma das fórmulas, de ganhar competividade e ter um câmbio competitivo. Então, essa guerra cambial é um guerra reflexo da crise e reflexo que a demanda interna desses paises ainda é bastante fraca”, fala o economista do banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal.


Segunda-feira, 24/05/2010





O dólar está valendo R$ 1,86. Até se valorizou um pouco nas ultimas semanas por causa da crise na Europa, mas ainda está longe do que gostariam os exportadores. Isso também afeta a balança comercial.