terça-feira, setembro 28, 2010

Só 4% dos municípios têm alto desenvolvimento, e 45%, ou 2.503, são carentes

O Globo

RIO e MARAJÁ DO SENA (MA) - É abissal a distância que separa Araraquara, em São Paulo, de Marajá do Sena, no Maranhão. Os dois municípios retratam o embaralhamento da desigualdade socioeconômica do país, que junta cidades de diferentes níveis de desenvolvimento. Aquelas que oferecem estudo de qualidade, saúde idem e elevado nível de formalidade no emprego ainda são absoluta minoria e somam apenas 226 cidades (ou 4%), de um total de 5.564 municípios. Já as cidades carentes, ou subdesenvolvidas, são em número 11 vezes maior: 2.503 municípios sem água tratada e atendimento médico básico. Neles vivem 40 milhões de brasileiros. Ainda que o país esteja melhorando no seu conjunto, 45% das cidades do país continuam em situação de penúria total ou parcial , revela reportagem de Liana Melo, Rennan Setti e Evandro Éboli. Pouco mais da metade delas (51%) apresenta grau de desenvolvimento moderado. Este é o retrato das cidades brasileiras que o novo presidente da República vai receber das urnas no próximo domingo.

O perfil das cidades do Brasil foi construído sobre o tripé emprego e renda, saúde e educação, que juntos compõem o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM). A pesquisa está olhando o país pelo retrovisor, já que retrata a situação dos municípios brasileiros em 2007. Ainda assim, ela difere pouco da documentada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2009. Os dados do IFDM são oficiais e foram coletados nos ministérios do Trabalho, da Saúde e da Educação. Ao contrário do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), das Nações Unidas (ONU) - que usa os dados do censo demográfico publicado a cada dez anos -, o IFDM é anual, com recorte municipal e abrangência nacional.

- O Brasil continua um país muito desigual, e os avanços estão ocorrendo num ritmo lento. É um país partido - avalia Luciana Sá, diretora de Desenvolvimento Econômico da Firjan, comentando que uma das novidades do IFDM de 2007 é também o fato de a Região Centro-Oeste estar ficando mais parecida com o Sul e o Sudeste e de estar se distanciando, do ponto de vista de desenvolvimento, do Norte e Nordeste.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Eis a aí o verdadeiro retrato do Brasil. Em um artigo mais adiante, procuramos demonstrar o longo e penoso caminho que o país tem a trilhar para resolver suas desigualdades sociais mais profundas. Há uma grande confusão no governo atual que não consegue distinguir a diferença da presença do Estado na sociedade, com o gigantismo do Estado. Tamanho não é documento. Quando se fala em presença do Estado, nos referimos em ele cumprir suas funções básicas nas áreas da saúde, educação, segurança, infraestrutura, saneamento básico. Não é criando mais estatais cujo resultado é por todos conhecido, que o Estado se fará mais ou menos eficiente na sua missão principal. Não é com o inchaço descomunal e desnecessário da máquina pública, como veremos em reportagem da Folha de São Paulo, com a Presidência da República que, com Lula, aumentou em quatro vezes sua estrutura e triplicou sua despesa, que o Estado terá os recursos necessários para investir em áreas extremamente carentes com o propósito de reduzir tanto quanto puder nossa desigualdade social. Ou seja, o que o governo Lula, ou o que vier sucedê-lo, precisa ter em mente é que as mazelas sociais são decorrentes da ineficiência dos governos quanto a correta aplicação dos recursos públicos naquilo que realmente importa quanto o tema é qualidade de vida da população.

É claro que Lula não é o culpado das desigualdades presentes. Mas, convenhamos, em oito anos, com a abundância de recursos de que dispôs, avançou muito pouco no essencial, e MUITO no desperdício e ostentação. Ou seja, fez muito barulho por quase nada.

É de se esperar que o próximo mandatário tenha este compromisso como prioritário: dedicar e alocar o máximo de recursos para a redução das desigualdades sociais. Porque, senhores, casos esporádicos de pessoas morrendo nas portas dos hospitais públicos sem atendimento é uma coisa: triste é quando tais fatos se tornam comuns, diários. E, infelizmente, não estamos tão longe disto. E este quadro identifica muito mais do que qualquer discurso ou propaganda oficial, a negligência de qualquer governante.