sábado, outubro 09, 2010

As muitas Dilmas

Sebastião Nery

PARIS – Meses atrás, relembrei uma pequena historia que já contei em livro antigo e, de repente, como toda boa historia, volta a ficar atualíssima. Os baianos mais veteranos a conhecem bem.

Durante governos e décadas, Pitta Lima, simpático, bom e generoso, foi o rei do jogo do bicho na Bahia. Entendia mais de dezenas, centenas e milhares do que o PT sabe de comissões no governo, Fundos e estatais.

Um dia o fascínio da gloria lhe subiu à cabeça. Quis ser deputado. Legenda não faltava. Os PTN, PST, PRT, um P qualquer, estavam aí para isso mesmo. Comprou a inscrição, candidatou-se.

E a propaganda? Era preciso pentear a imagem. Pitta Lima mandou fazer o cartaz enorme, só com foto e legenda: “O verdadeiro Pitta Lima”.

Silvio Valente
Sílvio Valente, que assinava “Pepino, o Longo”, numa coluna diária de humor em “A Tarde”, terror dos políticos medíocres de Salvador, Stanislaw Ponte Preta baiano, publicou estas quatro quadras:

“Embora me fuja a rima / sigo da rima no encalço.
Existem dois Pitta Lima, / o verdadeiro e o falso.

Na Assembleia, o danado / será talvez o primeiro.
Será falso deputado? / Deputado verdadeiro?

Quis entrar na Academia / mas a eleição deu um nó,
porque ali não havia / duas vagas para um só.

Termino aqui esta rima / que não tem fito nenhum,
desejando ao Pitta Lima / que seja ao menos um”.

Dilmentiras
Nem um nem muitos. Acabou a candidatura. Dilma também é varias. Ninguém de bom juízo pode imaginar agora o fim da sua candidatura. Mas cada dia ela aparece metida numa situação mais engraçada, contraditória, extravagante, esdrúxula. Como morre de medo do Lula, nunca sabe direito o que falar, com medo de desagradar ao tutor.

E como não tem maior intimidade com a verdade e o caráter, vai metendo os pés pelas mãos, baralhando as palavras boca a fora. Enterrou totalmente todas as velhas convicções. Com ela é no vale tudo, achando que assim pesca eleitor até em mangue seco.

Acabou atropelando Deus e pagando o preço do primeiro turno. Jornais e Internet caíram em cima. Um espanto as Dilmentiras”. Em sabatina na “Folha de S. Paulo”, em outubro de 2007, ainda não candidata, perguntada se acreditava em Deus, respondeu :

- “Eu me equilibro nessa questão. Será que há? Será que não há”?

Aborto
Em fevereiro, este ano, já candidata,deu entrevista à revista “Época”:

- “Uma religião especifica, a senhora não tem”?
- “Não, mas respeito”.

Em abril, na TV Bandeirantes :

- “A senhora acredita em Deus”?
- “Acredito numa força superior que a gente pode chamar de Deus. Acredito na força dessa deusa mulher, que é Nossa Senhora”.

Em maio, enquadrada por Lula, virou uma beata falando à “Istoé” :

- “A senhora é católica”?
- “Sou. Antes de tudo cristã. Num segundo momento, católica”.

Dilma sempre se disse a favor do aborto. Quando a Igreja Católica e indignados pastores evangélicos denunciaram sua posição bifronte, ela correu para os endolarados braços do “miamico” “bispo” Edir Macedo pedindo proteção. Acha que engana a Deus e o povo brasileiro.

“Le Monde”
O governo, o PT e Dilma armaram uma aliança com os “institutos de pesquisas”, mercadinhos eleitorais de secos e molhados (leiam terça) e inventaram uma campanha eleitoral alicerçada na mentira. Em vez de comícios, fabricavam números fraudados que jogavam toda noite nas TVs.

A trapaça se articulou até com a imprensa internacional (em alguns casos enganou), que agora está furiosa. No domingo do primeiro turno, baseado nas “pesquisas” comoradas pelo governo brasileiro, o mais respeitado jornal da França, o “Le Monde”, publicava na primeira pagina uma charge do cartunista Plantu. Lula e Dilma com uma urna:

- “Apenas 4% dos brasileiros descontentes com o presidente Lula”.

Dilma, toda de vermelho: - “A consagração de Dilma Roussef”. E o correspondente no Brasil,“adubado” pelo PT, jurava que ela ganharia. No dia seguinte, o jornal desmoralizado. Mas “ganhou” do governo e empresas francesas no Brasil dois grossos cadernos-revistas sobre “O Milagre Lula”.

“Le Figaro”
Em qualquer situação, é sempre melhor que falem bem do Brasil. Mas nem o governo brasileiro nem as revistas e jornais contam quanto custou. O “Figaro”, o maior jornal do pais, abre o jogo em manchete :

- “Les Entreprises Françaises se Bousculent au Bresil” (“As Empresas Francesas se Acotovelam, se Atropelam no Brasil”). Quer dizer, “deitam e rolam”. E o jornal cita : L´Oreal, GDF Suez, Carrefour, Vivendi, Lafarge, Repsol, Sinopec, muitas outras.

E Lula, com dinheiro público e privado, pensa que “virou estadista”.