Dório Ewbank Victor, O Globo
RIO - Em meio às polêmicas em torno do aborto, os candidatos à Presidência ressaltaram os valores cristãos e da família durante a estreia do horário eleitoral gratuito na TV do segundo turno, ocorrida na tarde desta sexta-feira. Enquanto Dilma Rousseff (PT) começou sua propaganda agradecendo a Deus aos mais de 47 milhões de votos e exibiu fotos com sua filha e neto para frisar o seu respeito à vida, o tucano José Serra afirmou que sempre foi contra o aborto e ressaltou valores cristãos e da família antes de falar do programa Mãe Brasileira, uma de suas propostas de governo.
Dilma, bem como na propaganda no rádio desta manhã, também falou sobre os ataques anônimos na internet, que a colocam como inimiga do respeito à vida e das religiões.
- Estou sofrendo na pele uma das campanhas mais caluniosas, (...) mas não me afastarei do rumo certo - disse Dilma. No estilo "paz e amor", ela pede às pessoas para enviar uma mensagem de amor, por meio do site de campanha, para aqueles que estão enviando estes e-mails.
O presidente Lula aparece na propaganda, falando que, antes, os seus adversários também o caluniavam, mas, após se eleger, o direito à vida no país cresceu mais do que em todos os outros governos.
Depoimentos de diversos governadores e senadores da base aliada de Dilma, eleitos no último domingo, foram exibidos durante a propaganda da petista, que ressaltou a importância da relação com estes eleitos na formação de parcerias. Ela voltou a ressaltar algumas promessas de campanha, como a construção de milhões de moradias e de 500 UPAs.
A presidenciável usou a sua adversária no primeiro turno, Marina Silva (PV), para afirmar que o Brasil quer uma mulher na presidência. Ela justificou a afirmação falando que, se juntasse os votos da petista e da verde, daria mais de 60% dos eleitorado. No final, a propaganda fez uma comparação dos oito anos dos governos Lula e FHC, ressaltando que, no governo da oposição, não houve Bolsa Família, Luz para Todos e o PAC.
O tucano José Serra, como no primeiro turno, atacou a questão de Dilma nunca ter concorrido a uma eleição, e que ela disputa a presidência só por causa do seu "padrinho", se referindo a Lula. Ele agradeceu à população pelos votos recebidos no domingo, e, de olho no eleitorado indefinido de Marina Silva, disse que sempre foi a favor do meio ambiente, do direito a vida, e que não muda de opinião na véspera de eleição.
A verde voltou a ser citada quando a propaganda exibiu um discurso de Serra, no qual ele congratula Marina pela sua expressiva votação. O presidenciável do PSDB também ressaltou algumas de suas propostas, como o reajuste do salário mínimo para R$ 600, 10% de aumento para os aposentados e pensionistas, 13º para os beneficiados pelo Bolsa Família, e água e esgoto na casa de todos os moradores do país.
O candidato ressaltou novamente a sua biografia política. Os governadores e senadores eleitos da base tucana também gravaram depoimentos de apoio a Serra. No final, a propaganda comparou Collor a Dilma, qualificando-os como inexperientes (ao contrário de dos ex-presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique e do presidente Lula) e lembrou que Collor foi afastado da Presidência.