Denise Chrispim Marin e Luciana Xavier - O Estado de S.Paulo
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, insistiu ontem na decisão de o governo brasileiro adotar todas as medidas necessárias contra os efeitos negativos do ingresso de capitais estrangeiros.
A mensagem foi enfatizada no momento em que o Fed, banco central dos Estados Unidos, estuda a possibilidade de ampliar a emissão de dólares, para estimular sua economia. Em vez de atender seu objetivo, porém, a medida poderá elevar os fluxos de capitais a economias emergentes. No caso do Brasil, um dos maiores destinos de investimentos estrangeiros, essa hipótese significará maior valorização do real.
"Tomaremos todas as medidas para proteger a economia brasileira dos desequilíbrios causados pelo fluxo exagerado de capitais, gerado pelo excesso de liquidez nos países desenvolvidos", afirmou, logo depois de indicar que o atual ambiente de guerra cambial deverá prevalecer em curto prazo.
Meirelles evitou mencionar se a equipe econômica estuda nova alteração no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), para ampliar o controle sobre o ingresso de capitais e impedir maior valorização do real. Entretanto, ele ressaltou ser de interesse do governo "esterilizar" esses fluxos de capitais "exagerados, que não trazem benefícios para ninguém".
A tendência de ampliação do déficit em conta corrente - 2,39% do PIB, de janeiro a agosto - deverá ajudar a desvalorizar o real, segundo Meirelles. Da mesma forma, o BC espera ver a recuperação no consumo doméstico das economias desenvolvidas, ainda em fase de lenta recuperação dos efeitos da crise de 2008, e a ampliação do mercado interno de emergentes. "Com isso, o Brasil deixará de ser uma das poucas luzes de países estáveis e em crescimento."
Esses movimentos estão na raiz dos atuais desequilíbrios da economia mundial - tema que domina a assembleia anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), a ser concluída amanhã, e deverá prosseguir na reunião do G-20, em novembro na Coreia do Sul. Embora tenha considerado improvável um acordo para contornar os desequilíbrios na economia mundial, Meirelles afirmou ser um desafio "desejável".