Villas-Bôas Corrêa
Como não tem mais o que fazer, o governo do presidente Lula está patrocinando um seminário internacional de comunicação eletrônica, em que escancara a porta para o sonho da criação de uma agencia reguladora do conteúdo da mídia. Um sinônimo maroto para a censura a imprensa. Tudo embrulhado no papel pardo da mistificação.
O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que conheci como foca em A Notícia do então governador Chagas Freitas, tem todas as credenciais para entrar no debate colocando as coisas nos seus lugares: “o Brasil não precisa de marco regulatório em muitas áreas, nesta principalmente.” Embala: “A expressão marco regulatório é ampla. Temos mecanismos de proteção, classificação de programas na Constituição de 88. Podemos combater avanços, não restrições”.
Morde e sopra ao comentar a declaração do presidente Lula de que a liberdade de imprensa não pode ser usada para inventar mentiras: “autoridades sempre se irritam com a imprensa. Gostam de elogios, não de notícias”.
O presidente Lula é o menos indicado para dar palpites sobre a liberdade de imprensa. Para princípio de conversa, não lê jornais, revistas e muito menos livro. Nem os de Monteiro Lobato da paixão da minha infância. Adora fazer discursos com a sua facilidade para falar de improviso, com gesticulação de ator, suando por todos os poros. Nas solenidades em que deve ler o discurso, o texto preparado pela assessoria é impresso em letras garrafais e muitas vezes abandonado para o improviso.
Não se tem notícia de que o presidente leia os processos que deve aprovar. Confia nos assessores e daí uma boa parte do prestígio da presidente eleita, Dilma Rousseff.
Ora, o presidente Lula é um vitorioso pela suas qualidades, não pelas suas deficiências. Hoje é o líder mais popular do mundo, que conhece como a palma da mão, nas viagens da sua grande curiosidade. Por que fingir o que não é? Como a sua evidente ambição de voltar à presidência em 2014 ou em 2018 se a presidente Dilma também sonhar com a reeleição.