Sílvio Guedes Crespo
O sistema de supervisão do setor financeiro no Brasil está “sob ataque”, avalia uma reportagem do jornal britânico “Financial Times”.
Ontem, o empresário Silvio Santos teve que captar às pressas R$ 2,5 bilhões com o Fundo Garantidor de Crédito para não deixar seu banco, o Panamericano, quebrar.
O banco vendia carteiras de crédito e depois não dava baixa em seus registros. O “Financial Times” lembra que houve casos em que a mesma carteira foi vendida duas vezes.
O fato levantou dúvidas sobre como deveria ser feita a supervisão do sistema para que eventos como esse não ocorressem.
“Isso é uma coisa que o BC precisa melhorar. Ele não tem mecanismos para analisar quem está vendendo carteiras de crédito para quem”, disse ao “FT” Luis Miguel Santacreu, da Austin Rating.
O jornal aproveita a notícia do Panamericano para questionar o próprio sistema. O banco de Silvio Santos é voltado fortemente para financiamento de carros e motos. Para o “Financial Times”, as instituições financeiras que atuam nessa área passaram a emprestar com prazo “a perder de vista”. “Eles [o Panamericano] estavam emprestando para a base da pirâmide, o que pode ser muito problemático”, disse ao “FT” um analista que não quis divulgar seu nome. Ele disse que não há evidência de que outros bancos tenham sido contaminados.