Eduardo Tavares,Portal Exame
Construção da linha entre o centro de São Paulo e o Aeroporto de Cumbica depende da demanda do Terminal 3 em Guarulhos, que fica pronto depois de 2016
Bia Parreiras/Viagem e Turismo
Chegar a Cumbica só perde em dificuldade para o calvário dos passageiros no próprio aeroporto
São Paulo - O Expresso Aeroporto, projeto do governo de São Paulo para integrar o centro da capital paulista ao Aeroporto de Cumbica por meio de uma ligação sobre trilhos, ainda tem um longo caminho até sair do papel. A obra, que deveria facilitar o acesso ao principal aeroporto do país, não caminha porque se enroscou na falta de entrosamento entre os responsáveis por ela.
Segundo a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), administrada pelo governo do Estado, a chamada Linha 14-Ônix foi planejada para funcionar integrada à estação da Luz do metrô. Sua extensão deve ser de 28 quilômetros até a periferia de Guarulhos, onde fica o aeroporto.
O edital de licitação da obra chegou a ser lançado no segundo semestre de 2009, mas foi interrompido por decisão da Justiça. À época, ressalvas do Tribunal de Contas do Estado (TCE) impediram o processo de seguir adiante. Mesmo depois que a CPTM incorporou as observações do TCE ao projeto, a licitação continuou parada.
Atualmente, o governo estadual afirma que a demora tem relação com a incerteza quanto às obras no aeroporto de Cumbica. De acordo com a CPTM, o Expresso Aeroporto depende "exclusivamente da definição, por parte do Governo Federal, quanto à implantação do Terminal de Passageiros 3 (TPS3) em Guarulhos."
A companhia estatal de trens afirma que o projeto do TPS3 enviado pela Infraero prevê a operação de 40% da capacidade do terminal em 2014, e os 60% restantes depois de 2016. Para a CPTM, esta previsão de demanda põe em xeque a sustentabilidade econômica e financeira do Expresso Aeroporto.
Uma vez que o modelo contempla a operação plena do terminal, o cenário ainda incerto tornaria o investimento arriscado para a iniciativa privada, que deve participar do projeto por meio de uma concessão. "É preciso ficar claro para os possíveis investidores se haverá estrutura suficiente para atender a esta crescente projeção de demanda", afirmou em nota a CPTM.
