Raphael Curvo (*), Prosa & Política
As confusões do ENEM é bem o estilo de governo do Lulla. É uma marca indelével. É notória, desde o início de governo em 2003, a incapacidade gerencial dos ministros, raras exceções. Esta é a razão de nada ser concluído e o PAC estar empacado sem chances de deslanchar. O momento da economia mundial tem salvado o Brasil de dias terríveis e muitos teimam e não ver isso. Os dólares que abundam em nosso solo, apesar de em grande parte especulativos, sustentam a nossa economia e a nossa reserva monetária, constituída pela obrigação de compra do Banco Central para segurar a valorização do real. Os altos tributos, inclusos os juros desses dólares, pagos pelos brasileiros estão sendo aplicados na gastança do governo e nas benesses do presidente a vários países na sua ilação de ser chefe do mundo.
Enquanto isso, a nossa educação fica contida nas obras físicas e financeiras que possam trazer resultados imediatos na mídia, por conseqüência, nos resultados das pesquisas de avaliação de governo. Foram oito anos de mandato que em nada acrescentou, de forma eficaz, à educação no Brasil. Quem é mais “tiririca” nisso, o deputado eleito ou o presidente? Gerações estão sendo jogadas ao lixo e a recuperação desses jovens é algo que não passa pela cabeça do governo. Nada ou quase nada de efetivo está sendo executado para, ao menos, qualificá-los. São projetos e planos que não conseguem transpor as portas dos gabinetes. É uma gigantesca massa jovem que está meio sem rumo, sem objetivos. Isto a leva para a tentação da vida fácil e a droga é um dos caminhos.
O “vestibular” ENEM é uma das maiores idéias já pensadas e postas em prática no sistema educacional brasileiro. É um processo que vem sendo gerado desde os anos noventa do século passado quando da criação do sistema de avaliação. Transformá-lo em sistema de ingresso nas universidades federais é o inicio de um caminho que dará impulso a educação no Brasil. O problema é que os agentes gestores, como disse Alexandre Garcia, são resultados do nosso ensino nos últimos anos. Daí a lambança que estão sendo vitima os milhares de alunos nos exames do ENEM. O grave de tudo é que não sabem o que fazer e fica visível a falta de uma assessoria qualificada e conhecedora dos enunciados da Lei e dos princípios jurídicos que norteiam a sociedade brasileira. O ministro fala alhos e o presidente bugalhos, não se encontram.
O exame tem que ser anulado se quiser ser justo. Novas provas para alguns, é favorecer a uns poucos e prejudicar a milhares que passam a concorrer em condições desiguais. O ridículo chega ao extremo quando vem de publico o Ministro da Educação do Brasil mostrar cartinha da ONU que julga correta a aplicação de novas provas aos prejudicados nos “erros” dele, ministro. Quem é a UNU para meter o bedelho nos princípios normativos de nossa Nação? Uma simples avaliação já deixa clara a quebra do princípio da isonomia quando muitos terão o privilégio de mais tempo de estudo e preparo para as novas provas, fora a possibilidade ganha para conseguir mais pontos que na prova anterior. O mesmo pensar vale para os que serão prejudicados ante os riscos de não conseguirem acertos.
A desculpa de que serão necessários 60 dias para a realização de nova prova é hilária, contraditória e demonstra a falta com a verdade do Ministro. O ENEM tem cerca de cinco matrizes de provas que podem muito bem serem utilizadas em novas provas. São essas matrizes que o ministro vai se utilizar para a realização das novas provas ao pequeno grupo de privilegiados. Perderam o rumo e o prumo e estão desmoralizando a educação brasileira que já sofre pela inconseqüência dos governantes que sempre a relegou a um terceiro plano em suas administrações. Para a educação só se fala em construções físicas, o capital humano fica de lado. Enquanto a China envia 700 mil para pós graduação no exterior, o Brasil tem cerca de 14 mil. Somente 3,8% da população brasileira têm curso superior completo. Com a maquiagem do governo que incluiu os tecnólogos como formação universitária, chegamos a pouco mais de 8%. É ou não é uma educação mal educada?
(*) Jornalista, advogado e comunicador