quarta-feira, novembro 17, 2010

No governo Dilma, voto em Haddad para embaixador no Butão!

Adelson Elias Vasconcellos

O Ministro Haddad, Ministro da Inépcia, foi hoje ao Senado prestar contas das atrapalhadas de seu ministério na (des) organização, (falta de ) planejamento e execução das provas do ENEM.

Se seu discurso e argumentos se resumissem a um pedido público de desculpas aos alunos examinados pelos transtornos, e que se empenharia para que não houvesse ninguém prejudicado na história (ou lambança), nada mais precisaria acrescentar.

Mas, neste caso, Haddad não seria ministro de Lula. A cultura deste governo quando comete suas safadezas para cima da sociedade, ou de parte dela, é sempre alegar que não tiveram culpa de nada, e que a culpa, inevitavelmente, sempre foi da própria vítima. Esta praxe marca um dos mais incompetentes governos que o país já teve no campo dos serviços públicos, afora a corrupção, claro.

Começa por apontar o Vestibular, velho guerreiro que servia de habilitação ao ensino superior, como um bicho feroz, capaz de devorar as criancinhas inocentes e mal educadas deste país. Só que, até hoje, bem ou mal, jamais se soube que o vestibular tenha aprontado tanta lambança, confusão e desorganização num único momento. O MEC do Haddad se superou na ineficiência. Em apenas dois anos, em que quis meter os pés pelas mãos e mandar para o inferno o vestibular, conseguiu destruir um excelente teste de avaliação do ensino que era o antigo Provão, trouxe confusão para as universidades que já não sabem o que fazer. Na dúvida admitem dois exames: programam seus vestibulares normalmente, e o ENEM, que se der certo, terá prioridade.

Não sou contra o ENEM, já disse isto aqui, várias vezes. Contudo, sou visceralmente opositor a forma como o MEC o quer empurrar goela abaixo, aos trancos e barrancos, de afogadilho, país afora. Moral da história: o ENEM se transformou num imenso vestibular unificado para coisa nenhuma. Não serve como avaliação, porque se abandonou o velho modelo (que produzia resultados), e adotou-se um modelo novo confuso, sem eira nem beira. Se para habilitar o ingresso à universidade, melhor que se apague tudo o que se fez e se comece do zero. Prá começo de conversa: por que um único padrão para todo o país? Por que esta compulsão a se centralizar tudo no governo federal? Isto só chama confusão, bagunça e esta mixórdia que se vê atualmente.

Incrível é ver que as entidades representativas (?) dos estudantes, simplesmente, fazem cara de paisagem. Parece que a mesada que o papai Lula lhes fornece , tiradas das arcas da Viúva, tiveram o dom de silenciar os antigos “rebeldes”. Tá tudo satisfeito com o “cala boca” do papi Lula .

Interessante é que quando o Provão foi implementado no governo FHC, este imbecil que agora se elegeu senador pelo Rio de Janeiro, Lindenberg Farias, sabotou o quanto pode a realização dos exames, montando barricadas nas entradas das universidades, para impedir o acesso dos alunos. E agora, seu cretino, não vai abrir o bico para a confusão fruto da incúria e da incompetência do governo?

Não é a toa que, dentre alunos examinados de 56 países, o Brasil ficou quase com a lanterna na mão, em 52º lugar, o que bem demonstra a vergonhosa situação em que se encontra o ensino no país. E não há desculpa razoável: este governo é o irresponsável condutor dos últimos oito anos, tempo de sobra para ter colocado um pouco de qualidade. E o que fez? Desandou a maionese de vez. Andamos para trás. Vimos apenas discursos ao vento e pura mistificação, impregnada pela mais deslavada e escandalosa propaganda mentirosa de que se tem notícia, depois dos nazistas, especialistas no truque vigarista de engabelar as massas.

O ENEM, no fundo, é apenas a ponta final de um governo preocupado apenas em atuar em seu próprio benefício, isto é, na manutenção do poder. Olhem para TODOS os serviços públicos de responsabilidade federal e aponte-me um único que seja que tenha melhorado nestes últimos anos, sem falar nas dezenas de escândalos de corrupção que neles se assistiu.

E, em todos os programas sociais, o que não faltam são desvios de dinheiro público, sendo o último o seguro desemprego para os pescadores. Rombo de 500 milhões de reais, afora bolsa-família fantasmas espalhados por todo o país.

Em resumo, minha opinião sobre o ENEM é que, a boa ideia de se submeter avaliações sérias sobre a qualidade do ensino médio no país, para, a partir dos resultados, estabelecer políticas para correção de rumos, está definitivamente sepultada. O Senhor Haddad resolveu acabar com o vestibular e, como tinha um instrumento mais ou menos à mão, lançou o ENEM em substituição e, como é de costume deste governo modernoso, estatizou o vestibular. E o fez com tamanha incompetência que o ENEM NÃO SERVE AGORA NEM PARA UMA COISA NEM PARA OUTRA, ou seja, não serve mais como modelo de avaliação, tampouco de habilitação à universidade. O que ele impõem, ao menos tenta, é pautar que as escolas pratiquem um ensino ideológico. Para o inferno a linguagem do idioma e suas regrinhas, ou a matemática como ciência exata. O que vale é formarmos idiotas politicamente corretos. Não se trata apenas de um escárnio: é vigarice monumental. Se algum pai de aluno que tenha feito o tal ENEM tiver algum tempinho, pegue o exame que seu filho fez, leia atentamente as questões a que foi submetido seu filho e tire suas conclusões. Seu filho, meu amigo, está é sendo ceifado de inteligência racional, do tipo que distingue o ser humano moderno dos primatas.

Acreditem: com tais métodos, incompetência e ideologias, é mais fácil a qualidade regredir (se que é possível) do que avançar um mínimo que seja. Hoje, já temos 45% dos jovens fora do ensino médio. Agora, imaginem se estes curupiras conseguem enfiar nos currículos as 250 novas disciplinas em estudo no Congresso, uma mais imbecil do que a outra. Acredite, meu caro, esta gente que “pensa” alguma coisa de educação, deve ter tirado diploma em alguma faculdade formada para jumentos vestidos de gente.

E uma última observação: na fala do ministro no Senado, ele prometeu e defendeu a ideia de se fazer duas provas anuais do ENEM. Santo Deus: se não se consegue fazer uma ao menos, com certo grau de acerto e eficiência, imaginem agora duas provas! Tortura suprema para os pobres alunos.

O incrível é como o país adora gastar dinheiro inutilmente: para compor um marco regulatório para as comunicações no Brasil, que no fundo vem a ser o restabelecimento da censura – como todos sabemos -, o governo mandou Franklin Martins passear na Europa para “colher subsídios”. Mau exemplo. Contudo, para implantar o ENEM, por que não se pagou as despesas de uma viagem do senhor Haddad para os Estados Unidos, França e Inglaterra, onde sistemas semelhantes são realizados quase secularmente, e com excelentes resultados?

Espero que a dona Dilma tenha um pouco de respeito para com futuro do Brasil e mande o senhor Haddad cuidar de um canil, longe, muito longe de qualquer política pública voltada à educação de seres humanos. Ou as futuras gerações ainda aprenderão a andar sobre quatro patas, mas ecologicamente corretas: comendo capim sem agrotóxico e com zero de gordura!

E que se coloque como ministro da Educação alguém do ramo, algum gestor com competência e formação acadêmica sólida na área de educação, preferentemente que não tenha ligação política de nenhuma espécie com partidos políticos, com perfil técnico ao extremo, e que veja a educação com importância que ela tem para o desenvolvimento de toda uma nação. Que a considere como um valor da sociedade, e não apenas como um meio de se conseguir um emprego melhor com um salário além de dois mínimos. O apagão de mão de obra qualificada que o país vive presentemente, até em funções cuja exigência é nível médio, é bem um sintoma e um alerta: ou nos decidimos por avançar, ou ainda o país comprometerá seu futuro. Impossível esperar coisa melhor de um país em que 2/3 de sua população é analfabeta funcional.

Outra sugestão para o futuro do senhor Haddad, é aproveitar sua inépcia como embaixador no Butão!