Josias de Souza, Folha.com
Alan Marques/Folha
Chamado a se explicar sobre o novo desastre do Enem, o ministro Fernando Haddad esteve no Senado.
Tomado pelas palavras, o Haddad desta terça (16) lembrou muito um outro Haddad, do ano passado.
A exemplo do ministro de 2009, o Haddad de 2010 criticou o exame vestibular, monstro que assombra a rapaziada.
“Alguém precisa enfrentar esse bicho com a coragem devida”, disse.
Acha que o vestibular deve ser substituído pelo Enem. Um Enem que seria aplicado em mais de uma edição anual.
Em março do ano passado, Haddad acenara com a realização de dois exames. No mês seguinte, o MEC recuaria: só haveria uma prova. Duas, só em 2010.
Sobreveio o furto do teste na gráfica, o adiamento do exame e uma elevação da taxa de tensão a níveis de dar inveja ao mais temível vestibular.
A folhinha escorregou para 2010. Nem sinal das duas provas. De novo, o Enem foi aplicado em versão única. No lugar do furto, um exame apinhado de erros.
Sob holofotes, Haddad faz uma promessa nova: o prazo de validade das notas do Enem pode ser ampliado de um para dois anos.
Difícil não dar razão a Haddad: “Alguém precisa enfrentar esse bicho com a coragem devida”.
Haddad não parece ser esse “alguém”. Faltou-lhe coragem e competência. Bombado em 2009, repetiu de ano também em 2010.
Não se sabe se Dilma Rousseff terá a coragem de manter Haddad na Educação. Porém...
Porém, ainda a presidente decida premiar a incompetência, é possível que o MEC se anime a entregar, em 2011, o Enem em duas versões.
Não para diluir a TPV (Tensão Pré-Vestibular) que acomete a garotada, mas para diluir a incidência da TIG (Taxa de Incúria Governamental).
"O problema [dos erros no Enem] se resolve com mais de uma edição por ano. Teremos mais tranquilidade, mais parceiros", disse o Haddad-2010.
O ministro reafirmou que os alunos prejudicados pelos erros do exame deste ano farão novas provas. Quando? Não soube dizer.
Sobre os erros nos testes, Haddad disse que, nesta semana, o MEC instalará uma comissão de sindicância para apurar responsabilidades.
A demora na busca dos responsáveis contrasta com a pressa na eliminação das culpas.
De antemão, o ministro isenta de responsabilidades Inep (Instituo Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais).
Nesse diapasão, a comissão do MEC acabará por concluir que ineptos são os alunos.
