quinta-feira, dezembro 30, 2010

É difícil só para quem é honesto

Comentando a Notícia

Não querendo sair do noticiário, Lula parece que resolver exceder todos os limites da decência e do decoro. Claro que, para quem não nutre a menor simpatia pela lei, ordem e decência, tais excessos não contam como prejudiciais.

Sendo assim, dentre tanta asneira proferidas nos últimos dias, há uma em especial que bem representa a total falta de caráter desta figura “maiúscula“ da política nacional:

Eu quebrei um tabu, porque todo mundo dizia que era muito difícil governar o Brasil, que era difícil, que era complicado. Eu não achei nada complicado, achei até gostoso demais.”

Há pelo menos duas razões que justificam tal absurdo. Primeiro, porque, de fato, Lula encontrou condições tão favoráveis de governabilidade, que realmente deve ter sido gostoso viajar, festejar, dar discursos imbecis por todos os cantos do mundo, sem ter ao menos um pingo de limite moral. A começar porque boa parte da imprensa o idolatra. Outra, por que contou com um cenário político que qualquer governante de meia pataca desejaria: sem nenhuma oposição. E, seguindo no trem azul da economia mundial, o Brasil se fartou de ser por ela empurrado. Toda a engenharia de Estado necessária para tais acontecimento se transformassem em frutos já houvera sido construída por seu antecessor que, não apenas se condicionou a pagar o preço político derivado das reformas impopulares que levou à cabo, como ainda viu-se ignorado por seu próprio partido que, parece, sente vergonha do legado por ele deixado.

Mas há, em especial outra razão para Lula achar gostoso ter governado o Brasil. Provavelmente, poucas famílias de presidente tenham se beneficiado tanto de seus pais presidentes, como os filhos de Lula. Comparando-se o que eram antes de 2003, com o que se tornaram hoje, em 2010, não dá para não admirar o êxito obtido.

Assim, não dá para negar que, para quem é honesto, deve ser difícil governar o país, ou mesmo exercer funções públicas, sem aproveitar-se dos cargos ocupados para “beneficiar” os familiares. Claro, entendo que a função pública é para beneficiar o país como um todo, é para prestar serviço à nação. Mas como o Brasil é um país diferente, onde a moral da política é servir-se, e não servir, deve ser mesmo difícil para um governante não se valer, em proveito próprio, do cargo que ocupa. Neste sentido, para um inescrupuloso feito Lula, para quem caráter e honra são expressões que valem só para os outros, é mais fácil deixar o barco correr livre, leve e solto e ver seus rebentos aboletar-se nas tetas do Tesouro, ou valer-se do cargo, a exemplo de dona Erenice Guerra, para a prática de tráfico de influência, tratando as coisas de Estado como assuntos internos de família, para garantir, deste modo, “sucessos empresariais”.