Brasil Econômico - Editorial
Tão populares quanto nocivas ao meio ambiente, as sacolinhas de plástico podem estar entrando em contagem regressiva como uma das embalagens mais utilizadas no varejo brasileiro. Não que possam ser totalmente banidas, mas pelo menos ser utilizadas e manipuladas de maneira mais responsável e controlada.
Calcula-se que 14 bilhões delas circulem, anualmente, por todo o país, representando uma ameaça que ganha a atenção de um número cada vez maior de pessoas, até mesmo por aquelas diretamente envolvidas com sua produção.
Por não ser biodegradável, esse produto resiste por até quatro séculos na natureza, onde um de seus malefícios mais visíveis é a impermeabilização do solo, impossibilitando sua drenagem e tornando-o infértil.
"São necessários apenas 4 gramas de plástico para a fabricação de uma sacola que atenda às normas de qualidade. E o custo desse processo é o mais viável economicamente quando comparado a qualquer outro", explica Miguel Bahiense, diretor do Plastivida — Instituto Socioambiental dos Plásticos.
Ao ser reutilizada no âmbito doméstico, tanto como embalagem como para descarte do lixo, revela uma relação custo/benefício não encontrada em nenhum outro tipo de embalagem.
Como o atrativo econômico torna-se o principal o fator de sua disseminação pelas mil fábricas que a produzem, a saída proposta por autoridades ambientais aos supermercados — onde são mais utilizadas — é o uso de campanhas educativas que resultem no chamado uso consciente.
"Não queremos simplesmente proibir sem explicar por quê", justifica Orlando Morando, deputado estadual e vice-presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas).
É o que pretende fazer a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que vai criar um manual de boas práticas para conscientizar funcionários e consumidores. É o primeiro passo para cumprir a meta de reduzir o consumo dos atuais 14 bilhões de sacolinhas para cerca de 10 bilhões em 2015.