Adelson Elias Vasconcellos
A futura ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Iriny Lopes, saiu-se com esta afirmação que considero estúpida, publicada na Folha de São Paulo. O texto é de Johanna Nublat. Retorno para comentar:
Não dá para obrigar mulher a ter filho, diz nova ministra
Iriny Lopes afirma que, pessoalmente, defende respeitar a opção de cada mulher. Para a futura ministra de Políticas para as Mulheres, papel do governo federal na questão é cumprir a lei
"Não vejo como obrigar alguém a ter um filho que ela não se sente em condições de ter. Ninguém defende o aborto, é respeitar uma decisão que, individualmente, a mulher venha a tomar."
Essa é a posição pessoal declarada pela atual deputada federal pelo PT do Espírito Santo e futura ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, 54.
Iriny tem histórico de militante dos direitos humanos e sua declaração toca num dos pontos mais explorados durante a disputa eleitoral.
O tema consta em programa do PT do início do ano. A futura presidente Dilma Rousseff, porém, se disse contrária a mudanças na legislação -que prevê o aborto apenas em caso de estupro ou risco à saúde materna.
Em 2007, durante votação de uma resolução que incluía a descriminalização do aborto no 3º Congresso do PT, Iriny defendeu a proposta.
Indicada ministra, diz que a bola está com o Congresso e com a sociedade. "O governo precisa cumprir a legislação que está em vigor."
***** COMENTO:
Um dos grandes males do mundo moderno é a tentativa cada dia mais abusada e audaciosa de se jogar no lixo toda a organização social que fez com que a civilização humana emergisse das trevas para um presente com melhor qualidade de vida.
E, quando me refiro à organização social, nela incluo, por óbvio, princípios e valores morais. Tente contra-argumentar com qualquer pessoa de nível médio de formação, apresentando razões de natureza moral. Acredite, você será mal visto e taxado de ultrapassado, careta, e coisas do gênero. Porém, tente analisar o progresso humano fora da ótica da moral. Não teríamos chegado aqui da forma como chegamos, se eles não reduzissem a natureza animal do ser humano a seu mínimo racional. Você que reclama da violência urbana, pede o quê afinal, se não o cumprimento de um código mínimo de conduta de respeito ao próximo?
Não posso concordar com as teses que o feminismo tenta emplacar para a liberação do aborto. Ninguém tira o direito da mulher de fazer uso que melhor entender de seu próprio corpo. Porém, isto não lhe dá direito de, tendo engravidado, e a não ser nos casos que a lei já prevê, de expurgar de si a vida que está gerando. Se não quisesse engravidar, que tomasse as providências que existem às dezenas para evitá-lo. Em nome de sua sexualidade não se justifica nem seu descuido, tampouco sua intolerância para com o direito à vida.
No mundo de hoje, não se admitem mais “inocências”. Toda a mulher sabe bem as consequências para a prática de sexo, sem os os muito recomendados cuidados que deve ter. E não me refiro apenas à possibilidade de contrair doenças sexualmente transmissíveis. Assim, antes de negar o direito à vida, deve ter em mente que a gravidez é um risco que correrá se não tomar os cuidados e as precauções necessárias para evitá-la, caso não a deseje.
Veja-se abaixo o estudo publicado pela BBC Brasil. A abstinência sexual antes do casamento, ao contrário do que se imagina, melhora a vida sexual. Não se trata apenas de um apelo de natureza de moral religiosa. É preciso, antes, rever nossos conceitos e valores. Não é a falta de moral que nos torna pessoas mais felizes. Pelo contrário. O sexo não é uma prática inevitável como o ato de respirar. Ele pode e deve ser disciplinado. Não se justifica que se dê vazão aos instintos sem um mínimo de controle. Não nos tornamos seres melhores por conta disto, é justo o contrário.
Gostem ou não os que defendem a liberalização do aborto, a partir da concepção já existe vida. Interrompê-la é sim um assassinato. Ora, se querem entender que a mulher tem o direito de dispor de seu corpo a seu bel prazer, porque, então, os nascituros não tem assegurado o direito de viverem a partir de sua concepção? Por que se lhes quer negar o direito mais sagrado que possuímos, que é o direito à vida?
Precisamos refletir melhor em tais questões. Não nos tornaremos melhores por afastar do meio social os códigos morais que regem nossa existência. Vamos é nos brutalizar, dando vazão a todo e qualquer instinto com a desculpa porca de que “temos direitos”. Não, todo o direito individual está limitado pelo espaço que ocupamos, ou seja, ele se estende até onde se principia o direito de outrem. Não há liberdades e direitos absolutos.
Mas ainda assim é estúpida a afirmação da senhora Iriny por ser uma bandeira defendida apenas por uma minoria. Sabe-se que mais de 60% da população brasileira é contrária à ideia do aborto. Esta defesa intransigente que se faz por sua prática indiscriminada, vem atender apenas uma pequena faixa de mulheres que se querem desvalorizar a si mesmas. Sexo não é artigo de primeira necessidade. Podemos conviver com seu uso disciplinado e regulado. São escolhas que, lamento informar, devem ser dirigidas por códigos de moral elevada. Sem tal limite, a mulher se torna apenas em mero objeto de prazer. Nada além disso. O resto é argumento tolo, egoísta e, desculpem-me os contrários, mas estupidamente imoral.