Escolhidos para o Ministério de Dilma Rousseff, os deputados federais Mario Negromonte (PP-BA), Pedro Novais (PMDB-MA), Maria do Rosário (PT-RS) e Iriny Lopes (PT-ES) têm em comum mais do que o mandato parlamentar. Todos utilizaram a verba indenizatória da Câmara dos Deputados, ao longo de 2010, para pagar pelos serviços de empresas que também trabalharam nas suas campanhas pela reeleição.
A deputada Iriny Lopes, futura ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, usou os serviços da gráfica Quatro Irmãos em sua campanha, para impressão de material de divulgação. Segundo a prestação de contas apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a empresa recebeu, em outubro, R$ 25 mil por esses serviços. Só que, ao longo do ano, a mesma gráfica recebeu R$ 80 mil da verba indenizatória da deputada, por serviços de divulgação da atividade parlamentar.
Já a empresa Logic Processamento de Dados recebeu, em julho, R$ 5.970 para pré-instalação física do comitê de campanha de Iriny, segundo a prestação de contas apresentada ao TSE. Ao longo de 2010, a mesma empresa recebeu R$ 13.392 da verba indenizatória da Câmara, por supostamente ter prestado serviços de manutenção no gabinete da parlamentar. Procurada pelo GLOBO, a deputada não retornou as ligações.
Empresas de táxi aéreo e gráfica, os serviços preferidos
A deputada Maria do Rosário, que ocupará a Secretaria Especial de Direitos Humanos, usou na campanha os serviços da gráfica V&C, que, durante o ano, recebeu da Câmara, como parte da verba indenizatória, R$ 68.411 para divulgação da atividade parlamentar. Pelos serviços prestados à campanha da deputada, a gráfica recebeu R$ 241 mil, segundo os documentos enviados à Justiça eleitoral. Maria do Rosário também não respondeu às ligações dos repórteres.
Escolhido para o Ministério das Cidades, o deputado Mário Negromonte utilizou fartamente os serviços da empresa de táxi aéreo Aero Star em 2010, pagando os deslocamentos com a verba indenizatória da Câmara. Pelos documentos, ele pagou um total de R$ 151.200 até novembro. A mesma empresa também aparece na prestação de contas do parlamentar ao TSE como prestadora dos mesmos serviços, pelos quais recebeu R$ 64.500 entre agosto e setembro.
Por meio de sua assessoria, Negromonte disse que não vê irregularidades no fato de a mesma empresa receber recursos da Câmara e de sua campanha.
- Os serviços foram prestados e as contas foram aprovadas pelo TSE e pela Câmara, dentro da legislação em vigor - afirmou.
Já o deputado Pedro Novais, futuro ministro do Turismo - que ganhou destaque esta semana por ter incluído na prestação de contas da Câmara despesas em um motel em São Luís do Maranhão - contratou a empresa Dalcar Service durante sua campanha à reeleição por R$ 17 mil. Com a verba indenizatória, pagou à mesma empresa R$ 64.800 durante o ano de 2010.
A Cururupu Táxi Aéreo também aparece como prestadora de serviços tanto à campanha do deputado como a seu gabinete. A empresa recebeu da Câmara R$ 61.900 ao longo do ano. E na prestação de contas que fez à Justiça Eleitoral, Novais declarou ter pago à Cururupu R$ 25.800. O GLOBO tentou falar com o deputado em seu gabinete, mas não conseguiu contato.
Pelas regras da Câmara, os parlamentares têm direito a uma verba mensal de R$ 31.637, que pode ser usada com passagens aéreas, manutenção de escritório político, aluguel de veículos e consultoria, desde que devidamente comprovada com notas fiscais. Não há limite para cada tipo de despesas, desde que o total não ultrapasse à cota. Cabe ao deputado decidir onde gastar.
Pela prestação de contas de Novais e Negromonte, as empresas de táxi aéreo e locadora que prestaram serviços aos dois não receberam nenhum valor da Câmara durante os meses de campanha mais intensa, entre julho e setembro, mas seus nomes voltaram a aparecer nas prestações de contas dos deputados a partir de outubro. Já no caso da deputada Maria do Rosário, parte do pagamento à gráfica V&C com verba indenizatória, no valor de R$ 23.805, foi feito em novembro, logo após a campanha.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É um vale tudo com o dinheiro que não se tem mais limites. E Lula ainda queria reduzir a autoridade do Tribunal de Contas da União! Nesta cultura não há recurso suficiente para qualificar os serviços públicos mais essenciais. Esta gentalha tinha era que estar presa e pagando indenização ao país pelo prejuízo que causa!!!!