quinta-feira, janeiro 13, 2011

Aeroportos pedem regime de urgência

Brasil Econômico - Editorial

Na condição de responsável pela administração de 67 aeroportos, que correspondem à quase totalidade do tráfego aéreo nacional, caberá à Infraero o papel principal na definição das iniciativas para que a infraestrutura aeroportuária do país tenha condições de atender à crescente demanda de passageiros nos próximos anos. Não apenas com vista à Copa do Mundo, em 2014, e aos Jogos Olímpicos de 2016, mas bem antes desses eventos.

Com a economia se expandindo 4% ao ano, numa projeção pessimista, o número de passageiros tende a crescer em dobro, devendo chegar a 215 milhões em quatro anos, 65% a mais que a capacidade atual dos aeroportos brasileiros, de 130 milhões.

Daí a necessidade de uma definição urgente sobre as condições em que a Infraero trabalhará para executar essas obras.

Em entrevista ao Financial Times, publicada neste início de semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou que o governo estuda a abertura do capital da estatal, o que incluiria mudanças na sua estrutura administrativa.

Ocorre que serão necessários dois anos para implementar essas mudanças, como mostra estudo da consultoria McKinsey, preparado a pedido do próprio governo e citado, ontem, em Brasília, por Antonio Henrique Silveira, secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda.

É uma corrida contra o tempo, que já começa atrasada e pode se atrasar mais ainda, caso sejam seguidos à risca os rituais impostos pela capitalização via bolsa de valores.

O próprio Silveira alerta que a modernização da Infraero deve acontecer simultaneamente aos investimentos na melhoria dos principais aeroportos, sem que se dê ênfase, primeiro, à oferta das ações da estatal. "Aeroportos não podem esperar", alerta.

Cabe, portanto, ao próprio governo encontrar com rapidez o caminho alternativo e, principalmente, recursos, para a modernização aeroportuária. Quanto mais demorar, mais inevitáveis se tornam as turbulências.