Adelson Elias Vasconcellos
Tem ainda quem se surpreenda com algumas informações até aqui ocultadas da opinião pública, sobre o desempenho do governo Lula em seus oito anos de poder. Não para nós. Por pior que a informação possa ser, é apenas a ratificação de tudo quanto este blog vem informando desde sua criação.
Na edição de hoje, vejam lá, apesar de todo o discurso, apesar de todas as comemorações, apesar de toda a propaganda, a educação brasileira ainda capenga no essencial: a falta de vagas em alguns estágios da educação. E, como sempre se disse, não foi falta de recursos que impediu o país praticar sua revolução neste prioritário campo da atividade pública. Foi falta de projeto específico, foi falta de se fixar metas e prioridades, tudo isso conjugado com o desejo cretino de se transformar a educação em “escola de ideologia política”.
Portanto, quando numa prova internacional em que se aferiu estudantes de 65 países, constatamos que o Brasil se situou dentre os últimos colocados, não é surpreendente. É apenas o resultado ruim de um trabalho ruim, feito pela área da Educação do governo federal.
Neste mesmo patamar de ruindade, podemos verificar outra triste constatação, a de que, apesar dos discursos inflamados da turma da Petrobrás, capitaneados por Lula da Silva, o ex, o país ainda não atingiu a tão propalada autossuficiência em derivados de petróleo. Nossa dependência em derivados levou o País a importar cerca de US$ 15 bilhões para atender a demanda interna. A balança comercial total do petróleo e derivados encerrou 2010 com déficit próximo a US$ 5,8 bilhões.
Projeta-se que a produção de derivados voltará a crescer apenas a partir de 2013, considerando-se as refinarias em construção. Isto, claro, se os cronogramas das obras forem cumpridos à risca, coisa que ninguém pode sustentar atualmente.
Agora, voltem à campanha eleitoral de 2010. Recuperem os discursos de Lula e Dilma e a tropa de capachos que os acompanhou na empreitada. Tomando-se por base o que se disse e se anunciou, nossa educação já estava prestes de atingir o grau atual de primeiro mundo. No petróleo, o Brasil era o novo membro da OPEP, rico e bilionário clube dos grandes exportadores. As riquezas advindas cobririam o país, de norte a sul, com um progresso jamais imaginado. Pura fantasia, puro engodo, deslavada e descarada mentira que acreditou quem quis. O pré-sal, nosso bilhete premiado, está muito longe de gerar as fortunas imaginadas pelo governo do nuncadantez. E no campo da educação, bem estamos mais próximos do quarto mundo, do que do seleto rol de nações desenvolvidas.
Em outra área, a da saúde pública, bem, é mais fácil quem dela depender morrer por falta de atendimento, do que pela própria doença de que for acometido. É vergonhosa a situação . Com honrosas exceções de uns poucos estados, a dengue tornou-se uma epidemia nacional. Anunciam-se gastos de 1 bilhão de reais para conter o surto. São dezesseis estados em estado de atenção, com a projeção de aproximadamente 1 milhão de brasileiros a serem atingidos. Em 2010, foram mais de 700 mil infectados, ou seja, se prevê um crescimento em torno de 30% de casos para este ano, o que demonstra que as ações até aqui empreendidas, se converteram em rotundo fracasso.
Nesta semana, o ministro da Saúde atual, resolveu visitar uma unidade hospitalar. Sabem o que aconteceu? A direção do hospital, durante a madrugada anterior a visita, fez obras de maquiagem e, no dia, tratou de esconder alguns doentes para mostrar que a situação não é tão crítica quanto a Imprensa conta.
Enquanto isso, o governo que era para ser de continuidade, já que conta no comando com a gerente principal do governo passado, e com cerca de 40% do mesmo ministério, ainda não achou seu caminho. Anunciam-se medidas aqui e ali, proclamam-se cortes de 40 bilhões do orçamento feito, aliás, pela mesma equipe, mas apresentação de programa que é bom, nada.
Fala-se muito, mas se faz quase nada, a não ser a eterna briga das “nomeações”, para atender à fome de poder de uma classe corrupta e irresponsável de políticos, totalmente alienada dos problemas que afligem o país. Dado que era para ser de continuidade, era para a dona Dilma já ter pronto algumas reformas como a tributária, por exemplo, ou a política. Não se justifica que se comecem os “estudos” do zero, já que a orientação política de governo não sofreu interrupção. Além disso, conforme já lembrei em outras vezes, uma reforma tributária pode começar sem que o governo remeta ao Congresso um projeto específico. Pode começar, por exemplo, com a dilatação dos prazos de recolhimento de tributos federais e com a redução de alíquotas, medidas que podem ser adotadas por decreto do Executivo. Nunca esquecendo que o Ministro da Fazenda é ainda o mesmo do governo anterior. Assim, esta falta de ação agora, em algumas áreas específicas, ao meu ver, não se justifica.
Enquanto isto, o salário mínimo permanece em discussão. Não sabemos se fica em 540 ou 560, ou 580, e não saem desta miséria. Os problemas que o câmbio vem gerando já há alguns anos, o senhor Mantega sequer tem noção do que fazer. De vez em quando, pinta com uma medida aqui outra ali, na base do "agora vai". Da última, nem se passaram sete dias, e faz dois que o dólar só cai. Enquanto isso, indústrias nacionais fecham as portas ou reduzem atividades, postos de trabalho vão sendo extintos, e a balança comercial se aproxima de entrar em déficit rapidamente, apesar do momento econômico internacional nos beneficiar.
Enquanto isso, dona Dilma se vê às turras com uma fatura de 137 bilhões de reais deixada pelo governo Lula. Não haverá recursos num primeiro momento para dar início à construção das maravilhas prometidas na campanha. A hora é de apertar o cinto. Para quem chegou embalada pelo país maravilha, cantado em prosa e verso, não há dúvidas de que o mar não está prá peixe. Sem projetos e sem prioridades, como fazer em um momento de economia internacional um tanto recessiva? Como manter aqueles apelos escandalosamente mentirosos do ex-patrão? Como convencer o país de que tudo não passou de pura demagogia e mistificação? E, diante das dificuldades que está enfrentando, qual culpado atingir se a herança recebida foi santificada como bendita? Vamos voltar a culpar o mundo lá fora, como antes se fazia, quando os problemas estavam aqui dentro e suas causas também? Como advertiu o Financial Times para o Mantega, o recado vale para o governo todo: caiam na real.
Infelizmente, o que estamos vendo é o seguinte: Lula fez festas, solenidades, o oba-oba. Caberá a Dilma pagar a conta. E isto não se faz apenas com discursos. Goste ela ou não, o fato é que terá que cortar, urgentemente, o cordão umbilical que a liga a Lula. E, olhando para a equipe com que se cercou para governar, o primeiro passo será refugar alguns nomes que precisou engolir, além de interromper o ritmo de festa herdado de seu tutor político que, de forma irresponsável, comprometeu a saúde financeira e o equilíbrio fiscal herdados em 2003. Além disto, faltou a Lula a grandeza de perceber que os ventos da economia mundial haviam mudado para pior. Entre 2003 a 2008, a maré nos ajudou e nos empurrou. Agora, chegou a hora de fazer a lição de casa. E isto, sem projetos de desenvolvimento específicos, contando apenas com intuição e demagogia, fica claro que o país não sairá do lugar. E, como alertei ontem, a presidente deverá dar especial atenção para o Congresso. Abrir áreas de atrito, derivadas da insatisfação de sua ampla base de apoio, que não se sente prestigiada nas nomeações, até porque o PT não abre mão de saciar sua insuportável sede de poder, até em favor da governabilidade, é um risco perigoso, cujo final conhecemos bem. E tudo o que não precisamos no momento é de uma crise institucional.
Querem outro triste exemplo do que realmente foi o governo do senhor Lula? A informação a seguir é uma nota publicada pelo Cláudio Humberto.
Museu dos Pracinhas fecha...
A Associação Nacional dos Veteranos da FEB fechou as portas do prédio no centro do Rio, com 1. 500 peças, entre fotos, armas, uniformes e documentos da Segunda Guerra ameaçados pelos cupins.
...sem 1% da verba da UNE
O governador Sérgio Cabral diz ter implorado R$ 300 mil a Lula (ou 1% dos R$ 36 milhões destinados à UNE) porque “o Brasil é um país que não sabe transformar seus mortos em heróis”. Finalmente, acertou.
Bem que dona Dilma poderia intervir e determinar a reabertura do Museu, liberando a verba necessária e que chega a ser irrisória quando comparada às doações para as milhares de ong’s picaretas que povoam o país, e com uma ação multi-ministerial, envolvendo os Ministérios de Educação, da Cultura e da Defesa, além do Instituto do Patrimônio Histórico. Para quem defende a tal Comissão da Verdade sobre o período da ditadura militar, as verdades da Segunda Guerra Mundial são bem mais antigas, não é mesmo?
Em tempo: Lula, você já devolveu a cruz do Gabinete Presidencial carregada na mudança para São Bernardo do Campo? Devolva o que não te pertence, rapaz! Pô, é chato um ex-presidente carregar a cruz do gabinete como souvenir...! Esta cruz é para o empossado, não o ex.
