Vitor Abdala, da Agência Brasil
IPC-C1, da FGV, que mede o aumento nos preços para famílias com renda de 1 a 2,5 salários mínimos, fechou o ano passado com alta de 7,33%
Fernando Araújo/Wikimedia Commons
Maior aumento em 2010 foi registrado no grupo alimentação, de 11,03%
Rio de Janeiro - O Índice de Preços ao Consumidor Classe 1 (IPC-C1), que mede a inflação para famílias com renda de um a 2,5 salários mínimos, encerrou 2010 com uma alta de 7,33%. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), que faz a medição do índice, o IPC-C1 teve uma inflação acima da média do Índice de Preços ao Consumidor geral (IPC-BR), que, no período, variou 6,24%.
A maior inflação do IPC-C1 foi registrada na classe de despesas alimentação (11,03%), seguida por transportes (9,03%), despesas diversas (5,32%), saúde e cuidados pessoais (5,02%), vestuário (4,36%) e educação, leitura e recreação (4,12%). Os gastos com habitação apresentaram o menor aumento: 2,98%.
Analisando apenas o mês de dezembro de 2010, o IPC-C1 registrou uma inflação de 0,86%, inferior à registrada no mês anterior, que havia sido de 1,33%. A redução da inflação foi influenciada por quatro das sete classes de despesas analisadas pela FGV: alimentação (cuja taxa passou de 2,62% em novembro para 1,43% em dezembro), transportes (de 0,57% para 0,13%), habitação (de 0,38% para 0,35%) e educação, leitura e recreação (de 0,34% para 0,02%).
Enquanto isso, três classes de despesas tiveram inflação maior em dezembro: vestuário (de 0,75% em novembro para 1,42% em dezembro), saúde e cuidados pessoais (de 0,26% para 0,73%) e despesas diversas (de 0,41% para 0,59%).
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Aluguel e ônibus pressionam inflação no início de ano
Agência Estado
O IPC da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas atingiu 0,61% na primeira quadrissemana deste mês
São Paulo - A inflação começou o ano acelerada. Puxado pelo reajuste do aluguel, pela alta do preço das hortaliças e pelo aumento da passagem de ônibus urbano, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) atingiu 0,61% na primeira quadrissemana deste mês. E a perspectiva traçada até agora, sem contar os efeitos das chuvas excessivas no Sudeste e da seca no Sul, é de que a inflação encerre janeiro com alta de 1,15%, mais que o dobro do IPC de dezembro (0,54%).
“Estamos arrancando o ano forte, como no começo de 2010”, afirma Antonio Comune, coordenador do IPC da Fipe, que mede a inflação na cidade de São Paulo. Em janeiro e fevereiro de 2010, a inflação acumulou quase a metade do centro da meta de 4,5%. Neste ano, ele acredita que o cenário será semelhante. Em fevereiro, já há reajustes certos do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), de 5,5%, e do metrô, cujo porcentual não foi divulgado, diz.
Além desses aumentos previsíveis, o tempo não tem ajudado os índices de custo de vida. “As chuvas que estão atingindo São Paulo são um sinal amarelo, que já está se tornando um sinal cor de abóbora para a inflação”, brinca Comune.
Depois dos aluguéis, que subiram 0,57% na primeira quadrissemana deste mês em razão dos reajustes atrelados ao Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M), que disparou em 2010 e subiu 11,32%, a alface foi o item que mais contribuiu para alta do indicador neste mês. O preço da hortaliça aumentou 25,49%. O grupo Alimentação subiu 1 39% em janeiro, depois da alta de 1,38% em dezembro. E os alimentos in natura foram os vilões: aumentaram 4% este mês ante elevação de 1,49% em dezembro.
“Com as chuvas nas regiões produtoras, o preço das hortaliças deve dobrar neste mês em relação às cotações de dezembro”, afirma Flávio Godas, economista da Ceagesp. As hortaliças fecharam o ano com queda de 33% nas cotações e só na primeira semana deste mês subiram 10%.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
