Luiz Carlos Mendonça de Barros, Exame.com
A taxa de desemprego no Brasil deve ter encerrado 2009 nos 6% da força de trabalho após ajuste para sazonalidade. A realidade é que começamos o primeiro ano do mandato da presidente Dilma em situação de quase pleno emprego. A qualificação – quase pleno emprego – é usada neste post para evitar a critica que sempre ouço quando trato deste assunto em público de que como podemos ter pleno emprego quando milhões de brasileiros ainda não conseguem ganhar o pão de cada dia com um trabalho decente. O link que falta entre estas duas posições antagonicas é o grau de qualificação profissional do trabalhador brasileiro. A situação de pleno emprego a que me refiro existe entre os trabalhadores com um mínimo grau de instrução e qualificação profissional. Já os que criticam esta afirmação não levam em conta esta questão da qualificação profissional como um divisor entre as duas situações de nivel de emprego.
A teoria econômica vem tratando a bastante tempo desta armadilha entre pleno emprego do ponto de vista econômico e do ponto de vista social. O nível de pleno emprego econômico é chamado hoje de NAIRU e determina o momento em que as pressões salariais passam a funcionar como um elento ativo na aceleração da inflação.
Já a taxa de desemprego usada pelos analistas sociais não leva em conta a questão da qualificação da mão de obra no mercado de trabalho. Alguns mais radicais consideram como desempregados mesmo aqueles que exercem uma atividade em tempo parcial ou ainda aqueles que não consideram sua ocupação atual como adequada à sua qualificação.
No caso brasileiro uma taxa de desemprego inferior a 6% é considerada como abaixo da NAIRU e, portanto, já suficientemente baixa para colocar os salários em situação de desequilíbrio. Indicações factuais recentes já mostram que isto vem acontecendo em vários segmentos do mercado de trabalho brasileiro, principalmente na indústria e na construção civil.
Infelizmente as economias de mercado trabalham com restrições diferentes do que as dos analistas sociais, principalmente os que vivem no mundo utópico de escolas de pensamento de esquerda. Para eles estas limitações são superadas naturalmente se o crescimento econômico for matido de forma perene. A falta de um entendimento correto sobre as defasagens (lags) que ocorrem em uma economia de mercado – no caso aqui tratado entre a qualificação de mão de obra e aumento da oferta no mercado de trabalho – já levaram a inúmeros fracassos de governos que se auto entitularam pragressistas.
O governo Dilma precisa estar atento a esta questão sob o risco de um repique inflacionario ainda maior do o que está ocorrendo hoje.
LCMB

