Costábile Nicoletta (*) - Brasil Econômico
Ao fazerem seus levantamentos para uma reportagem publicada nas páginas 12 e 13 do Brasil Econômico na quarta-feira, dia 26 de janeiro, os jornalistas Regiane de Oliveira e Pedro Venceslau constataram que, dos 20 projetos urgentes que abrirão a votação do Congresso Nacional na semana que vem, nenhum inclui o tema educação.
Há 13 propostas de iniciativa do Executivo fazendo segunda época, entre as quais o Plano Nacional de Educação II, a Lei de Responsabilidade Civil Educacional (do ministro Fernando Haddad, que prevê punição para quem não investir corretamente em educação) e o Novo Piso do Professor.
Muitos projetos sofrem sabatina na Comissão de Educação e Cultura (CEC), que também dá parecer sobre parcerias culturais com outros países, como Burkina-Faso, ou mudança de data de feriado.
Provavelmente, poucos brasileiros sabem que Burkina-Faso é um país muito pobre, com 13 milhões de habitantes, que ocupa 274 mil quilômetros quadrados na África. Certamente, muitos estudantes brasileiros também ficarão sem saber isso e muito mais, se a prioridade que nossos caros (no sentido afetuoso e financeiro) parlamentares dedicam ao ensino no país continuar sendo essa.
A população poderia aplicar um Enem periodicamente em toda a classe política, dos vereadores à presidente da República, com base nas promessas de campanha que, invariavelmente, elegem a educação como um dos principais problemas a ser enfrentados, bem como o salário dos professores e seu aperfeiçoamento profissional, a melhoria das instalações dos estabelecimentos de ensino público e o aumento de sua oferta.
A tomar por base o que os nobres parlamentares vão discutir a partir da próxima semana, conclui-se que o Brasil continuará, por muito tempo, tendo problemas para capacitar sua mão de obra, que continuará semianalfabetizada, com poucas chances de acompanhar a velocidade do desenvolvimento econômico pelo qual passa o país.
(*) Costábile Nicoletta é diretor adjunto do Brasil Econômico