Ricardo Setti, Veja online
Amigos, consultorias internacionais de respeito já estão apontando para o novo foco de preocupação para as finanças internacionais depois da Grécia: a Venezuela.
O calote vem aí.
A norte-americana CMA Vision (é preciso de cadastrar para ter acesso aos dados e receber material por email), em seu último relatório trimestreal, em janeiro, já situava a Venezuela apenas atrás da Grécia quando à possibilidade de uma moratória até 2015. No relatório divulgado na semana passada, a Venezuela arrebatou o troféu.
A britânica Capital Economics (também vale a pena se cadastrar) pinta cenários mais negros, e alerta seus clientes de que é cada vez maior o risco de o governo do coronel Hugo Chávez não conseguir pagar os 5 bilhões de dólares que precisa desembolsar o ano que vem.
Ao mesmo tempo em que a inflação dispara e o crescimento do PIB foi negativo 1,5% no ano passado, a produção de alimentos é insuficiente e até energia vem faltando num país que navega num mar de petróleo – com quase 100 bilhões de barris, a Venezuela detém a sétima maior reserva comprovada de óleo do planeta (os dados são de ninguém menos do que a CIA americana) e é o oitavo produtor mundial.
PREÇOS EM ALTA NO MERCADO, PRODUÇÃO DO PAÍS EM BAIXA
Ocorre que, mesmo num quadro em que os preços do “ouro negro” estão disparando por causa do conflito civil na Líbia, a Venezuela de Chávez consegue diminuir a produção e também a receita de sua maior riqueza (95% das exportações): quando Chávez assumiu, no início de 1999, a produção era de 3,5 milhões de barris por dia, e em 2010 desabara para 2,3 milhões, segundo a Economist Intelligence Unit, respeitado centro de análise e pesquisa ligado à revista conservadora britânica The Economist, mas sem conotação política, que funciona desde 1946 e fornece estudos para 1,5 milhão de clientes no mundo.
O problema todo está na política. A greve de petroleiros deflagrada no final de 2002 e que só terminou em fevereiro, teve cunho político porque a ela se associaram setores importantes da oposição e levou Chávez a medidas drásticas de vingança e perseguição, que se revelaram desastrosas: entre 15 e 20 mil trabalhadores da estatal PDVSA foram demitidos sumariamente, privando a empresa de quadros técnicos com bom índice de formação e anos de experiência.
Some-se a isso o recheio da estatal com gente de confiança do coronel – mas não necessariamente com a devida competência – em postos-chave, mais as denúncias de corrupção e de uso da empresa para promover o chefe supremo, e está pronto o quadro de sucateamento e desmoralização do principal sustentáculo da economia do país.
