Brasil Econômico - Editorial
Bons tempos aqueles em que estudar num colégio público era sinal de status. Com uma rigorosa carga horária de cinco horas diárias, de segunda a sábado, e uma grade de disciplinas em que as aulas de Português, por exemplo, eram separadas em Gramática, Redação, Literatura e Interpretação de Texto, a escola absorvia praticamente todo o dia do aluno.
Para quem estudava de manhã, as tardes eram ocupadas, além dos deveres de casa, com aulas de Educação Física, Trabalhos Manuais e Religião, todas obrigatórias.
Difícil, quase impossível, para um secundarista de uma escola pública de hoje, onde se avolumam os casos de graves agressões físicas a professores, entender a rigorosa disciplina nas salas de aula e o extremo respeito predominante nas relações entre mestres e alunos.
A trajetória de qualidade, que começava no primário, terminava com o colegial. Com número de vagas insuficientes, as faculdades, quase todas também públicas, não conseguiam atender a todos os aprovados nos vestibulares, surgindo, então, o fenômeno dos excedentes.
A tentativa de solução veio a partir da implantação do regime militar no país, em abril de 1964, com a expansão dos grupos privados de ensino, cujo avanço em todas as áreas e faixas, aconteceu proporcionalmente à deterioração do ensino público, especialmente o fundamental.
O status do aluno, que antes representava a capacidade de aprender, transformou-se em status financeiro, ou seja, capacidade, para arcar com a mensalidade escolar.
Como mostramos nas páginas seguintes, a estagnação do ensino não dá sinal algum de que vá ser revertida proximamente. Uma das condições para que isso venha a acontecer é a rigorosa obediência ao Plano Nacional de Educação.
Ocorre que o Plano anterior, que vigorou de 2001 a 2010, considerado ambicioso demais, tinha 295 metas, cuja grande maioria não se concretizou.
O atual, para o período 2011-2020, apesar de mais modesto, com apenas 20 metas, já deveria ter entrado em vigor, mas nem sequer começou a ser analisado pela Câmara dos Deputados.