terça-feira, março 15, 2011

Opções erradas de Dilma Presidente

Adelson Elias Vasconcellos

Numa excelente reportagem no Estado deste domingo, somos informados ou relembrados de algumas maldades cometidas por Lula durante seus oito anos de mandato e que, ao que tudo indica, terão continuidade com Dilma e orrendo o risco ainda de serem aprofundadas.

Muito embora a grande maioria da população não tenha percepção e consciência destas maldades, a verdade é que todos acabam penalizados por elas. É o caso, por exemplo, das tarifas de energia e de telefones, nas quais se embutem os mais altos impostos de que se tem notícia no mundo. Além disto, o governo Lula deixou que as concessionárias de energia cobrassem a mais cerca de 7 a 10 bilhões de reais e, com a maior cara de pau, já anunciou que não pretende ressarcir os consumidores do assalto. Como é mesmo que se chama tamanha cretinice? Vigarice?

Outro exemplo é o sucateamento a que foi submetida a área da Saúde. Os poucos avanços que o país houvera obtido ao tempo em que Serra respondeu pelo ministério, simplesmente, foram desprezados, abandonados e jogados no lixo.

Também é um mau exemplo a maneira abusiva com que Lula, e agora, ampliaram e ainda pretendem ampliar mais, a estrutura do Estado, sem que sequer um miserável benefício tenha resultado deste inchaço em favor da população que é, afinal, quem paga a conta.

A reportagem do Estadão, neste sentido, é excelente aos nos informar que, Lula, tendo recebido um governo com 26 ministérios - e que funcionavam bem -, os ampliou compulsivamente para 37 ministérios, resultando, com isso, num desperdício total. Exemplo característico é o Ministério da Pesca, onde alojaram Ideli Salvatti, a “Maria Louca” do Senado na legislatura passada (não foi reeleita), cujo orçamento começou em 11 milhões e hoje chega a mais de 800 milhões reais por ano, sem que a produção nacional tenha aumentado um único bagrezinho. É o fim da picada!

Agora, se anuncia que Dilma irá acrescentar mais dois ministérios a atual composição, o das Micro e Pequenas Empresa, e o Infraestrutura Aeronáutica. Ou seja, irá se aumentar o gasto federal  numa época em que o recomendável seria reduzi-los. Não há equilíbrio fiscal que suporte o desaforo que se comete, diariamente, com o dinheiro público.

E, justamente por isso, afirmo que é um tremendo erro quando Dilma provoca e incentiva na ampliação de gastos inúteis e sem sentido de um lado e apenas para acomodar seus camaradas de partido, e de outro, empurra a conta da farra para a sociedade que continuará sobrecarregada pelo Estado paquidérmico, e sem nenhuma melhora na já péssima qualidade dos serviços públicos!

Em outra reportagem publicada nesta edição, temos lá a verdadeira face do que foi o governo do “nunca dantez”. Dentro da nossa filosofia de só avaliar os governos pelos resultados que, efetivamente, produzem, pondo no lixo sua propaganda mentirosa e os discursos asquerosos, reparem que, ao longo da história republicana, a média de crescimento do país no governo Lula foi apenas o 19º melhor . E olhem que poucas vezes se viu condições tão propícias para crescer. Se considerarmos a média mundial ao longo da história, o período de Lula chega quase a ser único. E qual foi o resultado? O que se vê: média abaixo da média histórica do país e, no período, abaixo inclusive da média mundial.

Assim, a opção de Dilma seria mais adequada se priorizasse, por exemplo, destravar as amarras que poderiam nos proporcionar crescimentos sustentáveis acima de 5, 6 e de até 7% anuais. E uma destas amarras é, por certo, o peso excessivo e opressivo de um Estado onde a cultura do desperdício chega às raias do absurdo.

Também são urgentes as reformas da Previdência e a Tributária, no sentido de tornar a produção nacional mais competitiva com o restante do mundo. E, neste embalo, priorizar o investimento maciço em infraestrutura é indispensável.

O que se vê, contudo, pelos sinais até aqui demonstrados, é que nem as reformas urgentes serão levadas à cabo (ou ao menos iniciadas), tampouco a redução do tamanho estatal criará as condições necessárias para a redução do chamado custo Brasil.

Em compensação, a opção pelo gigantismo deste Estado brucutu, omisso na sua tarefa constitucional de prover saúde, segurança, educação, saneamento, somente favorecerá a classe política na manutenção de suas velhas e retrógadas oligarquias que sugam a energia do país apenas para seu próprio e exclusivo deleite. E, de lambuja, entrega o lucro da atividade econômica em bandeja dourada aos banqueiros que, a rigor, são os mais privilegiados do governo dos “operários”, e em níveis inigualáveis no mundo e na nossa própria história.

Esta balela de “crescimento com distribuição de renda para os mais necessitados”, já vimos aqui se tratar apenas de mero discurso e propaganda enganosa. No fundo, o que as tais políticas afirmativas e inclusivas vão gerar é uma perenização da pobreza numa quantidade descomunal de brasileiros. A tal pirâmide social ficará estratificada com um perfil em que, mais de 50% da população, terá que se contentar em sobreviver com caraminguás vergonhosos, podendo ter em sua sala tevês de última geração, mas precisando conviver com esgoto a céu aberto ao lado de suas casas. Mais doloroso ainda é ver que, do pouco que podem receber, mais de 40% acaba retornando ao próprio Estado, na forma de tributos direitos e indiretos, e mil taxas e contribuições que, em grande parte e de acordo com a lei, são absolutamente ilegais.