Adelson Elias Vasconcellos
Numa excelente reportagem no Estado deste domingo, somos informados ou relembrados de algumas maldades cometidas por Lula durante seus oito anos de mandato e que, ao que tudo indica, terão continuidade com Dilma e orrendo o risco ainda de serem aprofundadas.
Muito embora a grande maioria da população não tenha percepção e consciência destas maldades, a verdade é que todos acabam penalizados por elas. É o caso, por exemplo, das tarifas de energia e de telefones, nas quais se embutem os mais altos impostos de que se tem notícia no mundo. Além disto, o governo Lula deixou que as concessionárias de energia cobrassem a mais cerca de 7 a 10 bilhões de reais e, com a maior cara de pau, já anunciou que não pretende ressarcir os consumidores do assalto. Como é mesmo que se chama tamanha cretinice? Vigarice?
Outro exemplo é o sucateamento a que foi submetida a área da Saúde. Os poucos avanços que o país houvera obtido ao tempo em que Serra respondeu pelo ministério, simplesmente, foram desprezados, abandonados e jogados no lixo.
Também é um mau exemplo a maneira abusiva com que Lula, e agora, ampliaram e ainda pretendem ampliar mais, a estrutura do Estado, sem que sequer um miserável benefício tenha resultado deste inchaço em favor da população que é, afinal, quem paga a conta.
A reportagem do Estadão, neste sentido, é excelente aos nos informar que, Lula, tendo recebido um governo com 26 ministérios - e que funcionavam bem -, os ampliou compulsivamente para 37 ministérios, resultando, com isso, num desperdício total. Exemplo característico é o Ministério da Pesca, onde alojaram Ideli Salvatti, a “Maria Louca” do Senado na legislatura passada (não foi reeleita), cujo orçamento começou em 11 milhões e hoje chega a mais de 800 milhões reais por ano, sem que a produção nacional tenha aumentado um único bagrezinho. É o fim da picada!
Agora, se anuncia que Dilma irá acrescentar mais dois ministérios a atual composição, o das Micro e Pequenas Empresa, e o Infraestrutura Aeronáutica. Ou seja, irá se aumentar o gasto federal numa época em que o recomendável seria reduzi-los. Não há equilíbrio fiscal que suporte o desaforo que se comete, diariamente, com o dinheiro público.
E, justamente por isso, afirmo que é um tremendo erro quando Dilma provoca e incentiva na ampliação de gastos inúteis e sem sentido de um lado e apenas para acomodar seus camaradas de partido, e de outro, empurra a conta da farra para a sociedade que continuará sobrecarregada pelo Estado paquidérmico, e sem nenhuma melhora na já péssima qualidade dos serviços públicos!
Em outra reportagem publicada nesta edição, temos lá a verdadeira face do que foi o governo do “nunca dantez”. Dentro da nossa filosofia de só avaliar os governos pelos resultados que, efetivamente, produzem, pondo no lixo sua propaganda mentirosa e os discursos asquerosos, reparem que, ao longo da história republicana, a média de crescimento do país no governo Lula foi apenas o 19º melhor . E olhem que poucas vezes se viu condições tão propícias para crescer. Se considerarmos a média mundial ao longo da história, o período de Lula chega quase a ser único. E qual foi o resultado? O que se vê: média abaixo da média histórica do país e, no período, abaixo inclusive da média mundial.
Assim, a opção de Dilma seria mais adequada se priorizasse, por exemplo, destravar as amarras que poderiam nos proporcionar crescimentos sustentáveis acima de 5, 6 e de até 7% anuais. E uma destas amarras é, por certo, o peso excessivo e opressivo de um Estado onde a cultura do desperdício chega às raias do absurdo.
Também são urgentes as reformas da Previdência e a Tributária, no sentido de tornar a produção nacional mais competitiva com o restante do mundo. E, neste embalo, priorizar o investimento maciço em infraestrutura é indispensável.
O que se vê, contudo, pelos sinais até aqui demonstrados, é que nem as reformas urgentes serão levadas à cabo (ou ao menos iniciadas), tampouco a redução do tamanho estatal criará as condições necessárias para a redução do chamado custo Brasil.
Em compensação, a opção pelo gigantismo deste Estado brucutu, omisso na sua tarefa constitucional de prover saúde, segurança, educação, saneamento, somente favorecerá a classe política na manutenção de suas velhas e retrógadas oligarquias que sugam a energia do país apenas para seu próprio e exclusivo deleite. E, de lambuja, entrega o lucro da atividade econômica em bandeja dourada aos banqueiros que, a rigor, são os mais privilegiados do governo dos “operários”, e em níveis inigualáveis no mundo e na nossa própria história.
Esta balela de “crescimento com distribuição de renda para os mais necessitados”, já vimos aqui se tratar apenas de mero discurso e propaganda enganosa. No fundo, o que as tais políticas afirmativas e inclusivas vão gerar é uma perenização da pobreza numa quantidade descomunal de brasileiros. A tal pirâmide social ficará estratificada com um perfil em que, mais de 50% da população, terá que se contentar em sobreviver com caraminguás vergonhosos, podendo ter em sua sala tevês de última geração, mas precisando conviver com esgoto a céu aberto ao lado de suas casas. Mais doloroso ainda é ver que, do pouco que podem receber, mais de 40% acaba retornando ao próprio Estado, na forma de tributos direitos e indiretos, e mil taxas e contribuições que, em grande parte e de acordo com a lei, são absolutamente ilegais.