terça-feira, março 15, 2011

País de uns poucos e contra a maioria

Adelson Elias Vasconcellos

O slogan que a marquetagem política criou para o o governo Lula não passou justamente disto: marquetagem política. Porque é bom se notar que, nunca antes na história recente do país, um governo se dedicou tanto a destruir a modernidade brasileira quanto o governo petista.

Uma das primeiras ações neste sentido foi na área da saúde, seguida da educação e, por último, a área da segurança. Os três serviços foram simplesmente sucateados e prova esta verdade as avaliações que situam o Brasil na rabeira do ranking de competitividade. No campo educacional, conseguimos quase ficar na lanterna num lote de 65 países, cujos alunos de ensino médio foram submetidos a testes básicos de conhecimento em leitura, matemática e ciências.

Na segurança pública, a exceção de São Paulo e um pouquinho de Rio de Janeiro, no restante do país, a despeito de cinco planos de segurança pública lançados por Lula nos seus oito anos de mandato, a criminalidade aumentou em todos os seus índices, principalmente, nos estados do Nordeste.

Recentemente, e para fechar este preâmbulo, dentre os BRICS, o Brasil foi o único que não conseguiu colocar uma única universidade dentre as melhores do mundo. Vergonhoso, não é mesmo?

Em compensação, e isto vemos nas reportagens do Estadão, a estrutura do Estado nunca foi tão inchada como no período em que Lula presidiu o país. E a se notar: este inchaço se deu na contramão da qualidade dos serviços públicos que, simplesmente, despencaram como nunca antes.

Tanto Lula quanto Dilma alimentam a sanha louca de um super Estado, mesmo que esta expansividade não resulte em benefício nenhum para a sociedade. Por quê? Porque muito embora o slogan da publicidade oficial declare o Brasil como sendo de todos, na verdade, o que se tem é um Brasil para poucos e, estes poucos, entendido, a turma do partido e das centrais sindicais. E é justamente este aparelhamento imoral que joga contra os interesses da população, já que se dá por cumplicidade política não por competência e qualificação adequada aos cargos ocupados e loteados.

O que vemos no plano das aposentadorias, e que já tantas vezes criticamos, é algo injustificável. Da forma como está, não há como acusar a tremenda injustiça que é cometida contra os aposentados da iniciativa privada, considerados, na atual estrutura, como trabalhadores de quinta categoria.

Mas não é apenas nestes quesitos que o governo petista, entrando já em seu nono ano no poder, anda na contramão. São os casos por exemplo da EMBRAPA e da Vale. Esta, após sua privatização, não apenas multiplicou em várias vezes seus investimentos, como ainda se tornou a maior exportadora brasileira. E a se notar: gerando um lucro fabuloso, algo impensável no seu tempo de empresa estatal. Pois bem, o sonho de consumo dos petistas é torná-la estatal novamente. Não se conformam com as bocas ricas que a Vale lhes poderia gerar e privilegiar. Para o diabo o interesse do país, para o diabo os lucros em empregos, divisas, renda e impostos que a empresa saneada pode proporcionar. Querem é privatizar, para a exclusividade do partido, os ganhos que a atividade da mineradora propicia. Assim, vale tudo, se possível até destruir a própria empresa via pressão política. O caso da cobrança prá lá de absurda de 5 bilhões em royalties dá bem a dimensão do que se esconde por detrás desta ação criminosa.

Neste mesmo sentido, vemos o caso da EMBRAPA. Num tempo em a questão ambiental se tornou ponto obrigatório e estratégico para a atenção de governos e empresas, o governo petista iniciou um processo de sucateamento irresponsável, criminoso e totalmente fora de propósito.

Vejam nesta edição, também, de que forma os recursos destinados ao Ministério dos Esportes são repartidos no país. Sempre, e prioritariamente, para os “amigos” do rei, mesmo que desnecessários. Infelizmente, num país onde a política é feita e aceita apenas a partir do pobrismo e da vulgaridade, onde ser oposição se tornou palavra de baixo calão, é doloroso constatar que estamos jogando no lixo conquistas e oportunidades de desenvolvimento. E que tal desperdício se dá apenas para privilegiar uma quadrilha de vigaristas e vagabundos, lotados num partido que se deseja único interlocutor da nossa sociedade multifacetada.

Ainda pagaremos muito caro por esta incúria. Corrigir os rumos vesgos de tal cultura não será trabalho apenas de uma geração. E o que é pior: tendo tudo para evoluir, nossa opção tem sido a de andar para trás, sob o silêncio cúmplice dos agentes e instituições públicas que deveriam impedir tal retrocesso, bem como de uma sociedade incapaz de definir seu próprio destino.