Bárbara Ladeia - Brasil Economico
Ministro da Fazenda, Guido Mantega,
deve continuar ritual de sequência de anúncios
de medidas macroprudencias para conter a inflação
Para o economista-chefe do Banco Prosper, Eduardo Velho, o aumento do IOF sobre crédito pessoal deve ser o primeiro de uma sequência de novas medidas macroprudenciais para conter inflação.
"O governo deve repetir a mesma trilogia do dólar, anunciando uma medida em cima da outra, gradativamente, para conter a inflação", explica Velho
Velho também observa que o governo deve atuar com mais intensidade em medidas macroprudencias que na alta da taxa básica de juros — o que poderia atrair investidores ao Brasil em busca de melhores resultados, inundando ainda mais o mercado nacional de dólares.
"Não vejo tanta necessidade de aumentar a taxa básica de juros esticando o olhar mais para frente", explica. "O cenário vai reverter, mas deve demorar. Ainda estamos sob influência da inércia de 2010, quando país cresceu muito e a inflação foi alta demais."
A medida anunciada nesta quinta-feira (7/4) deverá somar forças aos trabalhos já iniciados em dezembro do ano passado. "O crédito já vem desacelerando desde janeiro, refletindo as medidas macroprudenciais anunciadas em dezembro", aponta o especialista. "O aumento da taxa básica de juros, o corte no orçamento, o aumento dos compulsórios, enfim, tudo isso junto deve gerar algum efeito em potencial."
Nos calculos de Velho, a disponibilidade de crédito, que tem avançado em 20% ao ano, tende a desacelerar para um crescimento de 13% a 15% por ano. "É uma combinação política que pode trazer resultados, mas ainda existem componentes a acontecer".
Um desses eventos é a questão das commodities, em especial a alta do petróleo, que tem pressionado fortemente a inflação no país. "A desaceleração das commodities tem sido muito lenta em função da inflação"
Ineficiência
Para Jankiel Santos, economista-chefe do Banco Espírito Santo (BES), o anúncio desta quinta-feira testemunha contra o próprio governo. "O anúncio de hoje é curioso, pois levanta questões sobre as medidas macroprudenciais anteriores. Parece-me que não eram realmente fortes", destaca.
Ao contrário de Velho, Santos entende que o aumento na Selic é sim uma ação necessária no combate à inflação.
