Tatiana Resende, Folha de São Paulo
Embora reconheça a escalada do preço do álcool combustível, o presidente da Anfavea (associação das montadoras), Cledorvino Belini, ressalta que a entidade é "a favor do livre mercado".
"O empreendedor tem que escolher onde vai colocar os recursos. À medida que se possa interferir, nosso receio é que haja uma inibição dos investimentos na área, principalmente na expansão da produção", afirmou nesta quinta-feira na coletiva para comentar os resultados do setor no primeiro trimestre.
Na sua avaliação, "se o negócio é bom, outros virão investir e produzir".
A presidente Dilma Rousseff determinou uma série de ações para conter a alta no preço do álcool e evitar o desabastecimento do combustível, incluindo a transferência do controle da cadeia produtiva do etanol para a ANP (Agência Nacional do Petróleo).
A participação dos carros flex nas vendas de automóveis e comerciais leves foi de 84,7% nos três primeiros meses do ano, com os veículos movidos apenas a gasolina ficando com 9,7%.
No acumulado de todo o ano de 2010, os percentuais eram 86,4% e 8,4%, respectivamente. Para Belini, no entanto, essa redução na fatia dos carros bicombustíveis se deve ao aumento dos importados nos licenciamentos no país.
No primeiro trimestre, os emplacamentos de veículos novos trazidos de outros países tiveram expansão de 28,5% ante igual intervalo no ano passado, para 181,9 mil unidades.
Já os produzidos pela indústria local recuaram 0,5%, para 643,3 mil.
Para o presidente da Anfavea, "cabe ao Estado criar uma política de incentivos" para estimular o crescimento do setor sucroalcooleiro e, consequentemente, evitar a falta do produto.
" É uma energia renovável e temos que manter a atração, o crescimento e o desenvolvimento desse business", completa.
Editoria de Arte/Folhapress
