quarta-feira, abril 13, 2011

Não há desarmamento capaz de deter a loucura

Adelson Elias Vasconcellos

A pior tragédia que um governante pode impor a um país é tentar aplicar soluções fáceis para problemas difíceis. O que aconteceu na escola no Realengo, Rio de Janeiro, é impossível de prever, é impossível até de evitar. É duro até a gente reconhecer uma verdade: há pessoas más, há pessoas que sentem prazer em matar, roubar, trair, envenenar, em machucar e ferir, e há entre estes alguns que o fazem por serem doentes mentais. Para aqueles que tem compulsão ao crime, o caminho não é desarmarar as pessoas de bem, é manter o bandido fora do convívio social, isto é, preso. Já para os doentes, mantê-los em clínicas especializados, ainda é o melhor caminho.  

São milhares de pessoas que possuem o mesmo histórico e perfil do Wellington e, nem por isso, saem por aí assassinando pessoas. Desarmar as pessoas boas resolverá a questão? Não, não resolverá. Pessoas com aquele perfil doentio, querendo, podem causar morticínios até com canivete.

Segundo dados do Ministério da Justiça, existiriam circulando no país cerca de 16 milhões de fogo. Deste total, projeta-se que 50% sejam ilegais – como se chega a tal número é mistério. Ora, dentro deste montante, existem milhares de armas que sequer são fabricadas no Brasil. São produto de contrabando via fronteiras secas e portos e aeroportos. E quase que sua totalidade é adquirida pela bandidagem. Campanha de desarmamento vai evitar que tais armas entrem e circulem no país?

O absurdo é haver “autoridades” no país imaginando que sim. A exemplo de José Sarney, por exemplo, ao qual se associam algumas ong’s. Seria a solução fácil para um problema difícil.

A questão banal é o comércio destas armas que se faz de forma livre e aberta. E a questão principal é o ingresso maciço de armas de grosso calibre via Paraguai e Bolívia. São nestes dois locais, principalmente, que deveriam concentrar-se os esforços de combate pela Polícia Federal. Até porque não se trata apenas de armas e munições, mas também de drogas. O diabo que isto dá trabalho e sua responsabilidade é da competência do governo federal.

Já combater o porte legal de armas pela população parece empurrar para a sociedade uma responsabilidade que é do Estado.

Atualmente, são mais de 50 mil homicídios por ano no país. Certo que sua maioria ocorre com armas de fogo, mas não porque existam armas de fogo. Ontem, a Folha noticiou que um homem, em plena Avenida Paulista, centro de São Paulo, foi brutalmente esfaqueado, assim como inúmeros outros crimes acontecem com o uso de facas e facões. Neste caso, vai se proibir a produção e comércio de facas e facões? Ora, seria tolo se imaginar que sim.

No Brasil, o porte legal de armas para ser obtido pelo cidadão comum, percorre uma via crucis das mais penosas, mais até que nos Estados Unidos. No entanto, nossa média de homicídios por 100 mil habitantes é o triplo. Apesar da campanha do desarmamento feita em 2005, portanto há apenas seis anos, os crimes aumentaram barbaramente, a exceção de São Paulo cujo índice se equivale ao recomendado em países de primeiro mundo, e Rio de Janeiro, que caiu um pouco, mas mantém-se em 30 homicídios por 100 mil habitantes, o triplo do recomendado.

Quando políticos tentam impor estatísticas para justificarem campanhas de desarmamento, se utilizam de uma vigarice descomunal. Afirmam que a média de homicídios caiu no país após a campanha de 2006. Mentira. Se a média caiu no país foi por conta da média paulista que, de fato, despencou nos últimos anos. Mas esta queda tem se verificado não a partir de 2006, mas já há bem mais tempo. Além disto, a despeito de boa parte da imprensa, a segurança pública de São Paulo, aquela que cabe ao governo estadual, serve de exemplo e modelo de sucesso para o Brasil. Ocorre que ela se verifica sob um governo tucano, portanto, a má vontade desta ala jornalística pró-petismo, não apenas é parcial em seu julgamento, mas o faz sempre partindo do conceito de que qualquer governo que não seja petista é ruim.

Portanto, por mais segurança que se coloque nas portas das escolas, por mais que se desarmem as pessoas de bem, casos como o de Wellington são imprevisíveis e quase até inevitáveis. Por quê? Por conta de sua loucura. Ah, e por quê ele não está internado? Porque no país se adotou a prática de que lugar de louco é lugar nenhum, ou seja, não pode criar clínica destinada a doentes mentais. Os loucos devem ficar livres para o exercício de sua loucura. E dá no que deu. Mas não pensem que este seja caso isolado como se tenta vender ao país. Com crianças e talvez pela quantidade de vítimas, sim. Mas pesquisem a vontade e vocês se defrontarão com inúmeros casos semelhantes. Um exemplo é o maluco que abriu fogo numa sala de cinema num shopping em São Paulo há poucos anos atrás.

O que não pode esconder é que a segurança pública no país foi simplesmente abandonada. Aquela estupidez que as esquerdas sempre defenderam de que o crime é derivado da má condição socioeconômica já vimos aqui mesmo, não passar de pura balela. Por que, então, no Nordeste, onde Lula jogou todas as suas fichas em programas sociais e houve a inclusão de milhões de pessoas, o crime cresceu assustadoramente nos últimos anos?

Quantos morrem por ano em acidentes nas estradas? Nem por isso alguém imagina uma lei para proibir a venda de carros. E é bom sempre lembrar que o Brasil também é fabricante de armas. Mesmo que sejam de menor porte, elas matam por igual. Alguém aí sugeriria que se fechasse as fábricas, por que o governo é incompetente para garantir a indispensável segurança aos cidadãos do país?

Uma coisa é certa: bandido bom é bandido preso e isto vale para qualquer sociedade que queira dar à sua população uma vida de saudável segurança. Pode até parecer simples, mas ainda é o melhor caminho. Enquanto o Brasil for tolerante com seus criminosos e delinquentes, é certo que os índices de violência se acentuarão em escala impressionante. Enquanto a segurança pública for vista com o desprezo e descaso com que nossas autoridades e governantes a tem tratado, não há solução fácil que dê jeito. E isto requer uma enorme mobilização de todos. Vai desde treinamento de policiais militares e civis, fortalecimentos em meios e salários para os agentes, modernização de presídios e aumento de sua capacidade, modernização de nosso regime de leis para tornar mais célere a punição aos criminosos, dentre outras ações urgentes e necessárias.

Durante seus oito anos de governo, Lula lançou – pasmem! – cinco grandes planos de segurança. A cada caso de grande comoção nacional, lá vinha um programa que resolveria todos os nossos males.

Contudo, por se tratar de programas para impressionar à torcida, permaneceram no papel e a violência no país só fez aumentar. Está na hora de se lançar um programa sério e com metas específicas e que, mais do que seu lançamento em solenidades festivas e caras com toques eleitoreiros, é preciso sair do papel para a prática do dia-a-dia. Ou é isto, ou assistiremos dentro em pouco novas tragédias que comoverão o país. E uma sugestão: a segurança pública cumprirá sua função no dia em que os governantes se conscientizarem que seus resultados são produto de TRABALHO. E trabalho cotidiano e sem tolerância com a transgressão às leis. E isto vale para todas as camadas socioeconômicas da população, a começar, principalmente, pela tolerância que se tem com os crimes cometidos no seio dos próprios governos. E não serão campanhas de desarmamento, ou a criação de Leis do Fica Limpa que resolverão nossos males. Não há milagres, há trabalho a ser feito. Basta ter boa vontade em fazer o que deve ser feito, sem concessões de espécie alguma. Ser bandido é uma escolha pessoal: puni-lo conforme a lei prevê é obrigação do Estado.