segunda-feira, maio 23, 2011

A aposta errada de Palocci

Fernando Gabeira, O Estado de São Paulo

A decisão do governo de blindar Palocci, bloqueando um chamado da Câmara, foi arriscada. No post de ontem chamei a atenção para sua eficácia a curto prazo e seus perigos a longo prazo.

A opinião pública quer uma explicação. Ao invés disso, a nota do ministro Palocci afirma que fez o que outros fizeram

Não esclarece que os outros não estavam no governo, muito menos informa que os outros eram oriundos do mercado financeiro e voltaram a ele, depois de suas missões.

O Estado de São Paulo de hoje, através da reportagem de Leandro Colon e Luiz Alberto Weber, mostra que a operação de compra de um imóvel feita pela empresa de Palocci estava sob suspeita.

Segundo o Conselho de Atividades Financeiras(COAF), o atual ministro da Casa Civil comprou o imóvel de uma empresa que estava sob investigação policial.

Dentro dos critérios do COAF, a transação foi enquadrada na rubrica de operações atípicas e como tal foi informada à Policia Federal e ao Ministério Público.

Palocci nova complicação com imóveis

O governo pensou assim: é melhor passar o rolo no Parlamento do que dar explicações. Qual o perigo desse raciocínio a longo e médio prazo.?

A longo prazo pode suscitar movimentos por uma nova política, algo que já acontece na Europa, a exemplo da Islândia e agora da Espanha.

A médio prazo o desdobramento pode ser mais desfavorável ainda. O governo terá o desgaste de passar o rolo compressor e ainda se verá forçado a dar explicações.

Palocci vai se apegar à cláusula de confidencialidade. Isto é : não pode, por força de contrato, descrever seus negócios. A opinião pública vai apelar para a cláusula da transparência: as transações comerciais envolvendo deputados, com poder no governo, devem ser conhecidas.

Enfim, Dilma Rousseff está cometendo um erro de cálculo. As maiorias ocasionais no Congresso são uma ilusão. Elas não oferecem saída para o problema de Palocci.

A política se transformou num universo tão nebuloso que soa muito estranho falar em médio e longo prazo. Parece coisa de lunático.