segunda-feira, maio 23, 2011

De novo na Casa Civil

Lucia Hippolito

Era fevereiro de 2004 quando explodiu o primeiro escândalo do governo Lula. O escândalo Waldomiro explodiu bem no colo do todo-poderoso ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu.

Nada foi o mesmo a partir dali. O cristal trincou, a lua de mel com a opinião pública acabou.

Dirceu veio ladeira abaixo até estourar o escândalo do mensalão. Sua permanência na Casa Civil tornou-se insustentável. E sua cassação, quase inevitável.

Não são passados cinco meses de governo Dilma e estoura o primeiro escândalo. Onde? Na Casa Civil.

O personagem é outro, embora não seja estranho a escândalos. Antonio Palocci frequenta o noticiário desde 2005, quando se soube de suas idas constantes a uma alegre casa de Brasília, frequentada por garotas de programa e lobistas.

Depois veio o episódio da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo. E Palocci teve que deixar o Ministério da Fazenda.

Novamente poderosíssimo, enrola-se agora com um súbito enriquecimento. Aumento de patrimônio incompatível com seus subsídios de deputado federal.

Através de sua assessoria, o ministro informa que toda essa fortuna foi ganha com uma empresa de consultoria econômica e financeira.

Mas ele não era deputado? Parlamentares podem exercer o ofício de consultores remunerados?

E que consultorias são essas que permitem a compra de um apartamento de mais de seis milhões de reais?!

A Comissão de Ética pública declara, através de seu presidente, Sepúlveda Pertence, que sequer vai examinar o caso, porque está tudo certo com a declaração de bens de Palocci.

Acontece que esta comissão é ligada à Casa Civil da Presidência da República. Ou seja, praticamente subordinada a Palocci.

Conveniente, não?

A presidente Dilma Rousseff, tão ciosa de sua imagem de executiva austera e competente, certamente merecerá explicações por parte de seu principal ministro.

Mas o distinto público também aguarda, ansioso, as explicações do ministro Antonio Palloci.