segunda-feira, maio 23, 2011

A temporada dos escândalos

Villas-Bôas Corrêa

Cansei os dedos registrando a série de escândalos que inunda a edição de O Globo, com manchetes em quase todas as páginas do primeiro caderno sobre as roubalheiras de uma temporada que não será esquecida.

A manchete da primeira página destaca a do segundo caderno que abre alas para o cateretê das roubalheiras em suas diversas modalidades. “ As fraudes e descontrole no Ecad prejudicam músicos” é curiosa, pois não valoriza a grave denúncia. A segunda manchete é mais forte : “Documentos da entidade revelam descalabros administrativos”.

E no texto da chamada, o resumo irretocável: “Déficit que vira superávit, bailes de carnaval em que são tocadas apenas músicas de um compositor – Joselito Ribeiro de Macedo, o Astro da Sanfona – o sanfoneiro seria mais simples – e vales –refeição emitidos em nome de funcionários já demitidos ( com o valor correspondente devidamente embolsados por terceiros ) são algumas das irregularidades encontradas pelos repórteres Chico Otávio e Cristina Tardáguila na administração do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, o Ecad, entidade privada que recolhe e distribui os direitos autorais de músicos no Brasil.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) questiona a falta transparência na complicada operação, revelada por documentos internos dos últimos sete anos. O escritório que em 2010 arrecadou RS 433 milhões e repassou aos músicos R$ 346 milhões, rebate as críticas, devolvendo a bola: alega que é vítima das fraudes e não o responsável por elas.

O cateretê do faz-de-conta

O governo da presidente Dilma, na orfandade com o seu recolhimento para curar a pneumonia que a manteve recolhida, curte outra séria preocupação com o risco de mais uma semana com o ministro Antônio Palocci ser convocado para depor numa Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), convocada pela oposição e dependente das assinaturas dos senadores dissidentes.

O líder do PSDB, senador Álvaro Dias, justifica a iniciativa da oposição: “Somos cobrados, então somos obrigados a fazer o gesto político”. Pífia desculpa óbvia, que expõe a fragilidade da oposição, notória e exposta nos resultados eleitorais.

Os quatro partidos da oposição contam com 111 deputados e 19 senadores, incluindo os dez deputados e dois senadores que já anunciaram o desligamento do DEM.

E a oposição tenta atrair não apenas o apoio dos dissidentes do DEM, mas também do grupo independente do PMDB, formado pelos senadores Roberto Requião (SC), Luiz Henrique (SC), Cassildo Maldaner (SC) e Waldemar Moka (MS). Se conseguir, a oposição poderá ter maioria no Senado, uma dor de cabeça para o governo.

O presidente do Senado, senador José Sarney (PMDB-AM) está em plena atividade, acionado pelo governo, para tentar abortar a convocação da CPI oposicionista para investigar os negócios do Chefe da Casa Civil, Antonio Palocci.

No ar, um cheiro de pizza de fazer arder as narinas e provocar espirros.