Ricardo Setti, Veja online
Flávio Dino diante da foice e do martelo:
para uma agência que precisa funcionar como uma empresa,
a presidente nomeia o ex-deputado comunista
A Embratur é uma autarquia que deveria funcionar como uma empresa privada, dinâmica, ativa, promovendo o Brasil no exterior como destino turístico, participando das decisões do governo sobre infraestrura favorável ao turismo, impulsionando, dentro de sua área de competência, a privatização de aeroportos e negociando, no vasto e bilionário mercado de feiras e congressos, um lugar cada vez maior para o país, sobretudo com São Paulo e Rio.
Diante de todos esses desafios para a empresa, a presidente Dilma resolveu nomear seu presidente a quem?
Ao ex-deputado Flávio Dino, derrotado no ano passado em sua candidatura ao governo do Maranhão — ocasião, aliás, em que o PT do Estado, que queria apoiá-lo, foi obrigado a cerrar fileiras em torno da candidata do lulalato, a atual e novamente governadora Roseana Sarney (PMDB).
Ah, um pequeno detalhe: o novo presidente da Embratur, que teria com tarefas as acima expostas e muitas mais, de cunho empresarial, é velho militante e dirigente do Partido Comunista do Brasil (PC do B).
A presidente, para colocar Dino na Embratur, precisou dobrar a resistência do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Sarney estaria preocupado com as credenciais do ex-deputado para tocar a Embratur?
Nada disso: só queria colocar para escanteio um adversário político no Maranhão.