Agnaldo Brito, Folha de São Paulo
A burocracia é o maior obstáculo para a implantação da infraestrutura necessária ao desenvolvimento do país, revela pesquisa inédita feita pela Fundação Dom Cabral. O trabalho ouviu 259 companhias instaladas no Brasil.
Dos empresários ouvidos, 86% afirmam que o trânsito burocrático na esfera pública retarda as obras de infraestrutura. A ingerência de políticos e a corrupção são apontadas como dois grandes males que atrapalham o cumprimento de cronogramas de obras em todo o território nacional.
O tamanho do descontentamento é grande: 51% dos empresários não estão satisfeitos com os portos, 67% têm péssima avaliação das estradas e 70% não gostam dos serviços oferecido nos aeroportos.
Para o empresariado, a questão não é só alocar recursos públicos. "Punir exemplarmente os corruptos" e "reduzir a complexidade burocrática" são, para a maior parte das empresas consultadas, as duas medidas mais importantes para que o país consiga implantar os projetos de infraestrutura nos prazos definidos.
A Dom Cabral também questionou a classe empresarial sobre qual deve ser a prioridade em investimentos públicos. A resposta: o rodoviário.
RODOVIAS
Considerado a forma mais ineficiente, o transporte rodoviário ainda é considerado a prioridade empresarial para investimentos públicos.
Segundo a pesquisa, 61% dos entrevistados apontam a "recuperação e ampliação de rodovias" como a prioridade nos aportes de dinheiro público. Entre especialistas, há razoável consenso de que o Brasil deve priorizar estruturas com maior capacidade de transporte, como as hidrovias e as ferrovias.
Hoje, 58% de tudo o que o país transporta é sobre caminhões. A meta para 2025 é que o transporte rodoviário seja reduzido a 30%, ampliando modalidades como o hidroviário e o ferroviário.
Segundo a pesquisa da Dom Cabral, metade da classe empresarial acha que o governo deveria priorizar duas obras: a duplicação da BR 101 (rodovia que corta o Brasil de norte a sul na faixa litorânea) e a construção do trecho norte do Rodoanel metropolitano de São Paulo, obra já licitada.
Em seguida, o empresariado aponta três obras ferroviárias de relevância para o país: acesso ferroviário ao Porto de Santos, Ferrovia Norte-Sul e o trecho norte do Ferroanel de São Paulo, ainda sem prazo para concessão.
| Segmento de infraestrutura/obras mais importantes para o empresariado | Consideram a obra muito importante ou importante |
| Rodoviário | |
| Duplicação da BR-101 | 51% |
| Rodoanel de São Paulo - Trecho Norte | 50% |
| Duplicação da BR 116 | 48% |
| Ferroviário | |
| Acesso ferroviário ao Porto de Santos | 32% |
| Ferrovia Norte-Sul | 23% |
| Ferroanel de São Paulo Tramo Norte | 21% |
| Portuário | |
| Melhorias no Porto de Santos | 52% |
| Melhorias no Porto de Paranaguá | 30% |
| Porto do Açu Rio de Janeiro | 24% |
| Aeroportuário | |
| Aumento de capacidade de Terminais e pistas do Aeroporto de Guarulhos | 40% |
| Aumento de capacidade de terminais do Aeroporto de Confins | 30% |
| Aumento de capacidade de terminais do Aeroporto do Galeão | 22% |
| Metroviário | |
| Expansão do metrô de Belo Horizonte | 25% |
| Expansão da malha do metrô de São Paulo | 24% |
| Ligação Metroviária entre os Aeroportos de Congonhas e Guarulhos | 22% |
| Usinas hidrelétricas e linhas de transmissão | |
| Construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte | 30% |
| Construção das Usinas Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau; | 30% |
| Linha de Transmissão Tucuruí Manaus | 28% |
| Obras diversas | |
| Aumento da oferta de banda larga | 54% |
| Aumento da oferta de redes de fibras óticas nas principais regiões metropolitanas | 44% |
| Aumento na malha de concessões de rodovias federais | 41% |