sábado, fevereiro 18, 2012

Rio reduziu menos a extrema pobreza do que Sudeste e Brasil

Bruno Rosa, O Globo

Em dez anos, índice do estado caiu 45%, enquanto o do país foi reduzido em 50,5% e da região, 58,9%

A extrema pobreza no Estado do Rio de Janeiro teve um recuo menor do que o registrado na região Sudeste e no Brasil como um todo, entre 2001 e 2009. É o que revela o estudo "Situação Social nos Estados", feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De acordo com Marcio Pochmann, presidente do Ipea, 2,2% das pessoas no Rio chegaram em 2009 com renda inferior a R$ 67,07 por mês. O número representa uma queda de 45% em relação ao índice apurado em 2001, que era de 4%. Já no Brasil o percentual da população em situação de extrema pobreza caiu de 10,5% para 5,2% — em um recuo de 50,5%. Na região Sudeste, o número passou de 5,6% para 2,3%, retração de 58,9%.

— Quando a pobreza é geograficamente mais concentrada, é mais fácil de combater. Mas, quando olhamos para locais como o Rio, onde a pobreza é mais espalhada, é mais difícil criar ações eficazes para combatê-la. Chegar no núcleo duro da pobreza não é tão fácil. Ou seja, as ações gerais não são suficientes. Por isso, o “Brasil sem Miséria” (programa do governo federal) poderá ter problemas a partir de agora — apontou Pochmann, lembrando que a população total do Rio é de 15,8 milhões.

O estudo também mostrou que a renda domiciliar no Rio de Janeiro avançou menos em relação ao Brasil na última década. Umas das hipóteses, atesta Pochmann, é que houve um deslocamento dos investimentos para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. De acordo com o estudo, a renda domiciliar per capita avançou 19,6% entre 2001 e 2009, chegando a R$ 835,2. No mesmo período, o avanço nacional foi de 23,5%, para R$ 631,7.

— O Rio tem a terceira maior renda domiciliar per capita do Brasil, atrás apenas de Santa Catarina e Distrito Federal. Mas quando olhamos a extrema pobreza, vemos que o Rio tem a sexta menor taxa. Isso mostra que a distribuição não é bem feita. A renda aumentou no Rio, mas não foi capaz de fazer a desigualdade cair na mesma proporção — avaliou Pochmann.

Pochmann também utilizou o Índice de Gini, indicador usado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para medir a desigualdade, para traçar o cenário do Rio. Na última década, houve redução de apenas 4,9% no Rio de Janeiro. No Brasil, a queda chegou a 9,1%; e na região Sudeste o recuo chegou a 10,3%.

— Talvez essa menor redução esteja ligada ao perfil de crescimento do Rio de Janeiro, atrelado a setores de alto valor agregado, que gera poucos empregos — disse o presidente do Ipea.

Apesar do Rio ter melhorado menos que a média nacional, o perfil econômico do estado (como a atividade petrolífera) ajuda a explicar o avanço de 9,1% no rendimento médio do trabalhador fluminense entre 2001 e 2009, para R$ 1.363,7. Na região Sudeste, houve queda de 1,1% (para R$$ 1.264); e no Brasil, avanço de 7,4% (para R$ 1.116,4).