terça-feira, junho 05, 2012

Grupo J&F desiste da compra da Delta. Por que será?


Comentando A Notícia

Pelo texto de Eduardo Magossi, para a  Agência Estado, temos a informação sobre a desistência do Grupo J&F, a holding controladora da JBS, em adquirir a Delta Construções. 

Este é um daqueles casos que, provavelmente, jamais a opinião pública conhecerá a verdade que envolveu este processo. Inicialmente, o governo gestionou nos bastidores o quanto pode para que a holding assumisse o controle da Delta. Contudo, diante da reação negativa do mercado, e até da descoberta, para alguns menos avisados, de que o BNDES já participava do controle acionário da J&F, participação essa inexplicável para bem costurada nos subterrâneos do governo Lula, o governo Dilma voltou a trás de sua intenção e pressionou a J&F a desistir do negócio. A senha para a saída foi a quebra do sigilo da Delta. 

Na verdade, é preciso destacar que, a participação do BNDES em cerca de 1/3 do capital da J&F, se deu em razão de que o grupo precisava injeção de recursos para tocar seu projeto de ampliação, com seguidas compras de frigoríficos pelo mundo. Só que chegou ao ponto de que a capacidade de endividamento do grupo se esgotara, e qualquer novo crédito seria um risco para o BNDES. O truque foi o repasse de recursos via ingr5esso no capital da holding goiana, negociata bem ao estilo do governo Lula.

Foram tantas as trapaças e maracutaias cometidas neste sentido, que, em pleno 2011, sem que houvesse eleição alguma, o PT arrecadou em “doações” mais de R$ 50 milhões,  um recorde. 

Já há algum denunciamos aqui que estas desonerações parciais feitas pelo governo petista, beneficiando alguns privilegiados, e toda a cadeia produtiva brasileira, tinha um preço. Vemos agora qual o preço. 

É evidente que se algum enxerido resolvesse investigar como aconteceu a participação do BNDES no capital de empresa privada, e não uma empresa qualquer, e sim uma pérola muito bem escolhida e que tem sido muito bondosa nas doações ao partido, poderia encontrar alguns espinhos venenosos. Não querendo correr riscos de se descortinar algumas ações digamos, ... menos recomendáveis, o governo resolveu voltar atrás e pedindo que a J&F desistisse do negócio.

É claro que deverá haver algum plano B que possa abafar certas irregularidades, podemos chamar assim, que certamente uma investigação meticulosa e séria poderia descobrir sobre a Delta e seus contratos e relações com o poder público. 

Tendo ampla maioria na CPI do Cachoeira, o governo tudo fará para impedir que a CPI e suas descobertas fujam ao controle e acabem revelando segredinhos que poderiam comprometer a imagem seja do governo federal ou de sua base aliada, incluindo aí aqueles governadores alinhados com o governo petista. 

Portanto,  este é mais ou menos o roteiro daquilo que o governo tente ocultar a qualquer custo da opinião pública. A de que a participação da J&F na operação “abafa Delta”, poderia revelar outros casos escabrosos do submundo por onde navega o governo petista. Diante do risco, busque-se outras saídas. 

A seguir, o texto da Agência Estado.

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SÃO PAULO - O grupo J&F, holding que controla a empresa de alimentos JBS, anunciou a desistência da compra da Delta Construções. A informação foi antecipada pelos repórteres David Friedlander e Marina Gazzoni, do jornal Estado.

Em entrevista à imprensa, o presidente da holding J&F, Joesley Batista, afirmou que a Delta "tem seus méritos, mas a conjuntura levou à desistência" do negócio.

O fato é que o clima de desconfiança pesou sobre a negociação da holding J&F com a construtora Delta. "Crise de credibilidade afeta os negócios de qualquer empresa", afirmou o presidente da holding.
Ele deixou claro que a desistência ocorreu pela manutenção da desconfiança: "não foi provocada pela quebra de sigilo fiscal da empresa, nem pelo estudo da KPMG que ainda não ficou pronto", explicou ele.

Apesar do fim do acordo com a Delta, o grupo J&F continua analisando outras empresas na área de construção civil. "A Delta foi a terceira empreiteira que olhamos e continuamos olhando outras."

Na avaliação do executivo, a Delta "não tem problema em provar que é idônea", mas permanecerá sob suspeita e em investigação no longo prazo, o que atrapalha sua operação.

"Imaginávamos que isso seria resolvido no curto prazo, porém o ambiente hoje é pior do que há 30 dias", disse Batista. "Queremos entrar em um negócio que tenha condições de funcionar."

Ainda nas palavras do presidente da J&F, a questão da CPI, "que é legítima, atrapalha a vida da empresa". E completou: "não achamos que somos a melhor 'pessoa' para administrar uma empresa que vai ter que lutar pela sua sobrevivência".

Contratação
O executivo que havia sido nomeado para presidir a construtora Delta na época do anúncio de compra pela J&F, há menos de um mês, permanecerá na holding mesmo após a desistência do negócio, garantiu o presidente da J&F, Joesley Batista.

Humberto Junqueira de Farias havia sido nomeado presidente da Delta Construções em 11 de maio. Ele havia passado pela Renuka, companhia indiana do setor sucroalcooleiro, e pelo Grupo Camargo Corrêa.
A Delta, do empresário Fernando Cavendish, está no centro do escândalo envolvendo o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.