terça-feira, junho 05, 2012

Por que Marta deveria ajudar Haddad?


Comentando a Notícia

O texto a seguir é um exemplo de reflexão que o PT poderia muito bem fazer para si mesmo.  A mim pouco importa que o redigiu e onde o publicou. Importa saber o que ele contém, qual ou quais as questões que apresenta, e se o pensamento de fundo faz sentido.

Nesta confusão toda armada pelo Lula, o ex, seja para atrapalhar o mais que pode o julgamento do mensalão pelo STF (mas não pense que ele desistiu, não), a maneira caudilhista com que impôs as candidatura de Fernando Haddad em São Paulo, e de Humberto Costa no Recife,  demonstra um espírito autoritário, longe de se curvar à vontade da maioria, que apesar de haver governado um país democrático, ainda não conseguiu assimilar os valores impe5rativcos de uma democracia. Governa seu partido seguindo apenas sua vontade, por mais que esta vontade seja fruto de birras pessoais.

Em ato de lançamento da candidatura Haddad, sábado passado, Lula discursou e ironizou o principal adversário do PT, José Serra, que foi classificado como um político “desgastado”. Lula também ironizou a derrota para a presidente Dilma Rousseff, na disputa de 2010. “Ele levou uma tunga da companheira Dilma”. Perguntinha simples: acaso Lula ganhou todas as eleições de que participou? Ou terá esquecido que, por duas vezes, só para Fernando Henrique, ele perdeu já no primeiro turno? Se Serra levou um tunga de Dilma, Lula foi atropelado por FHC. E nem por isso Lula desistiu tanto que foi eleito em sua quinta tentativa de chegar à presidência. Acaso Serra está impedido legalmente de concorrer?  Ora, seu Lula, faça o favor, tome jeito, homem!

Assim, a análise feita pelo jornal digital 247, deveria antes ser lida, refletida e até assimilada pelos militantes e dirigentes petistas. Digo “deveria” por o histórico do PT não nos permite acreditar nesta possibilidade. Este não é um partido comandado pelos valores da democracia. Ali, seus dirigentes, Lula em especial, agem e comandam o partido do modo mais autoritário e imperialista possível. A eles não interessam a quem vão machucar. A análise que o 247 faz é sobre a relação do partido com a senadora Marta Suplicy e sua preterição a representar o PT nas eleições de São Paulo. Mais adiante, em outro esplêndido texto, vamos apresentar uma outra análise vista sob outro ângulo, para o mesmo tema.   

Não pensem que a minha opinião sobre a senadora tenha mudado. Continuo sendo um crítico da primeira e ultima da atuação política da senadora petista. Porém, a maneira como o seu partido a tem tratado, creio, ser um bem característico ato de ingratidão para quem ajudar a construir o PT. E, infelizmente, nem ela terá sido a primeira vítima e, está claro, tampouco terá sido a última. 

A seguir a análise muito bem feita pelo jornal digital 247.

******

Disciplina seria a resposta. Mas isso só seria verdade se o PT tivesse se comportado como partido na escolha do seu candidato em São Paulo, e não como curral comandado por Lula. A senadora faltou ao lançamento de Haddad e passou a ser chamada de “traidora”; mas quem traiu quem?

Foto: Edição/247

Imagine, hipoteticamente, que Marta Suplicy fosse candidata à prefeitura de São Paulo. Até mesmo seus detratores, dentro e fora do PT, reconhecem que ela teria cerca de 30% das intenções de voto e estaria rivalizando com José Serra, numa disputa polarizada entre tucanos e petistas. Partidos da base aliada, como PC do B, PDT e PSB, provavelmente, já teriam fechado alianças em torno da senadora. E a eleição seria marcada pela comparação da gestão de Marta Suplicy (2000 a 2004) com a de José Serra e Gilberto Kassab (2005-2012).

Quem venceria? Difícil prever, mas há sinais de que a rejeição a José Serra, entre o eleitorado paulistano, hoje é maior do que a de Marta Suplicy. Portanto, o PT, que tem uma mulher na presidência da República, teria grandes chances de reconquistar a maior cidade do Brasil, também com uma mulher.

Lula, no entanto, decidiu que o PT deveria seguir suas ordens. Resultado: Fernando Haddad, imposto pelo ex-presidente, tem hoje 3% das intenções de voto. E, neste sábado, passou pelo constrangimento de ficar esperando por Marta no evento de lançamento de sua candidatura. Até um trecho do seu discurso – onde ele falaria da importância de ser apoiado por Marta – teve de ser suprimido. “O que significa ser apoiado por Marta Suplicy? Significa ser apoiado por uma prefeita que em pouco tempo tirou São Paulo do caso, reergueu nossa cidade e inaugurou uma nova fase de governar”, diria Haddad.

Incautos poderiam perguntar: se Marta foi tão boa prefeita, por que não pôde ser indicada e foi afastada do processo, de forma humilhante, pelo ex-presidente Lula? Talvez porque Lula tenha colocado na cabeça de que tem poderes mágicos e decidiu impor o nome de Haddad, evitando até a possibilidade de prévias – como as que, bem ou mal, ocorreram no PSDB.

Para turbinar Haddad, criou-se uma confusão até no Recife. O PT decidiu tirar do atual prefeito, João da Costa, o direito à reeleição, apenas porque isso ajudaria a atrair o PSB, do pernambucano Eduardo Campos, para a aliança de Haddad. Com tamanha trapalhada, o perigo é perder eleições com onde havia boas chances de vitória nas duas capitais.

Bom, neste sábado, Marta era aguardada no evento de Haddad e não compareceu. Sumiu, escafedeu-se. Desligou o celular.

E, agora, tem sido chamada de traidora pelos petistas?

Por quê? Quem traiu quem?

Por acaso o PT tem dono? É o partido de um coronel?

Já há petistas torcendo até para que ação do PSDB contra a participação de Lula e Haddad no programa do Ratinho frutifique.