quinta-feira, junho 21, 2012

Intromissão indevida.


Comentando a Notícia

Leiam o seguir, texto do Portal G1, Comento em seguida.

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Unasul enviará missão ao Paraguai para apurar impeachment de Lugo 


No Rio, líderes defenderam garantia de 'ampla defesa' ao presidente. Ele sofre pressão do Congresso por mortes em conflito agrário.

O ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou nesta quinta-feira (21) que a Unasul enviará uma delegação a Assunção para apurar a abertura do processo de impeachment contra o presidente do Paraguai, Fernando Lugo.

A presidente Dilma Rousseff se reuniu com os presidentes dos países do Cone Sul para avaliar a situação política do Paraguai, após a Câmara de Deputados do país ter anunciado a abertura de processo político para destituir Lugo da presidência.

O presidente paraguaio está sendo responsabilizado por um confronto entre polícia e camponeses que resultou na morte de 17 pessoas no interior do país em 15 de junho.

Em pronunciamento, ele afirmou que não vai renunciar e que vai se submeter ao processo iniciado pelo parlamento.

A reunião permitiu uma análise dos acontecimentos no Paraguai e do enfrentamento havido em 15 de junho, especialmente os desdobramentos que se seguiram ao episódio. Os presidentes da Unasul decidiram o envio de uma missão de chanceleres que partirá hoje. Eu integrarei nessa missão e ela será integrada ainda pela secretário-geral da Unasul”, afirmou Patriota.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Até onde se saiba, o Paraguai é um país democrático, com suas próprias leis, e tanto a Câmara quanto o Senado foram eleitos democraticamente por seu povo. Assim, se uma das casas do Congresso resolveu abrir um processo de impeachment contra seu presidente, ninguém de fora deve meter o bedelho. Não compete a UNASUL intrometer-se em assuntos internos dos países do continente. Não se vê nenhum golpe de estado sendo urdido no Paraguai. 

Portanto, o fato de seu presidente ser esquerdista e aliado aos caudilhos canalhas do continente, não significa que ele, caso tenha cometido algum crime previsto na Constituição de seu país, não seja passível de responder ao processo que a Câmara aprovou, e a ninguém é dado o direito de tirar satisfações como se vê a UNASUL pretender fazer. 

Mais ridícula é a posição do ministro das Relações Exteriores brasileiro, senhor Antonio Patriota, em querer chefiar uma missão intrometida e ilegal.  Ou será que a UNASUL agora vai querer determinar que ações as políticas internas dos países do continente devem seguir? Nunca esquecendo que o Paraguai é uma democracia, vive a plenitude de seu estado de direito, seus representantes no Congresso, assim como seu presidente, foram eleitos diretamente pelo voto popular. Portanto, este tipo de ingerência deve ser condenado e, no caso brasileiro, o senhor Patriota deveria ater-se às questões mais afeitas ao seu cargo, ou será que já se resolveu a greve inédita do Itamaraty? 

Não tem cabimento esta intromissão brasileira e de qualquer outro país sul americano em questões internas do Paraguai que, aliás, não precisa de ninguém para ensinar-lhe democracia.