Gabriela Valente
O Globo
Resultado de junho foi 80% menor do que o do mesmo período de 2011
BRASÍLIA – Com a economia em ritmo lento e a arrecadação de impostos em baixa, o governo poupou menos para pagar juros da dívida. Em junho, União, estados, municípios e empresas estatais acumularam apenas R$ 2,8 bilhões: queda de quase 80% do superávit primário na comparação com o mesmo período de 2011.
No semestre, o setor público economizou R$ 65,7 bilhões, queda de 16% em relação ao primeiro semestre de 2011. O superávit primário dos últimos 12 meses corresponde a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB), o menor patamar desde dezembro de 2010.
Já o governo central — Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central — registrou superávit primário de R$ 1,272 bilhão em junho. O resultado representa redução de 28,8% ante maio (R$ 1,787 bilhão) e de 88% com relação a junho do ano passado (R$ 10,580 bilhões). Nos seis primeiros meses do ano, a queda foi de 14,1% ante o mesmo período de 2011. Nos primeiro semestre, a economia para o pagamento dos juros da dívida pública feita pelo governo central chegou a R$ 48,085 bilhões, R$ 7,9 bilhões abaixo dos R$ 55,993 registrados de janeiro a junho de 2011.
As autoridades da área econômica dizem que a queda no superávit era esperada, porque no ano passado o caixa foi reforçado com receitas extraordinárias (como o Refis da crise) e que, agora, os gastos com investimentos aumentaram. O governo garante que a meta de superávit para o ano (R$ 139,8 bilhões) será cumprida e promete engordar o caixa com dividendos das estatais. No entanto, especialistas ouvidos pelo GLOBO colocam em dúvida o cumprimento da meta.
— A luz amarela acendeu, porque a queda da receita é preocupante e olhando para os próximos dois meses, vejo mais redução de superávit e, para mim, a meta para o ano começa dar sinais de que está comprometida — argumenta o especialista em contas públicas Mansueto Almeida.
— Em junho de 2011, tivemos mais de R$ 6 bilhões de receitas extraordinárias decorrentes do Refis. A diferença (no superávit) é explicada basicamente pela sazonalidade importante que houve na receita. Não houve excepcionalidade — afirmou o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.