quarta-feira, agosto 08, 2012

E agora, Presidente Dilma?


 Adriano Pires 
O Globo

No segundo trimestre de 2012, a Petrobras apresentou prejuízo de R$ 1,35 bilhão, frustrando a expectativa dos investidores, que na média esperavam um lucro de R$3 bilhões no período. É importante ressaltar que esse prejuízo da Petrobras é resultado de uma política de intervenção que começou há 10 anos e desviou o foco da empresa, que deixou de ser a busca de eficiência e lucratividade.

A empresa vem sendo usada como instrumento de política industrial através da obrigatoriedade de um conteúdo local mínimo, que beneficia a indústria local em detrimento da eficiência da Petrobras. O resultado é aumento de custos, atrasos e queda na produção.

Ao não reajustar o preço dos combustíveis no Brasil, de acordo com preço internacional, o governo vem usando a Petrobras como instrumento de política econômica, com o objetivo de controlar a inflação. Por este motivo, a Área de Abastecimento apresentou prejuízo de R$ 7,0 bilhões, o que foi determinante para o resultado global negativo do trimestre.

A empresa também sofreu por ser usada como instrumento de negociação política. O loteamento da empresa entre os partidos aliados ao governo, levou a decisões que não tem racionalidade empresarial, como é o caso da refinaria Abreu e Lima, parte de um projeto político do ex-presidente Lula com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, cujo custo de instalação já se multiplicou por 10, de US$ 2,3 bilhões para US$ 20,1 bilhões.

O prejuízo registrado neste segundo trimestre foi o primeiro resultado negativo desde o primeiro trimestre de 1999. É bom lembrar que 1999 foi um ano atípico tanto na conjuntura econômica doméstica como no setor, o que desqualifica a comparação. Naquela ocasião, o país havia mudado seu regime de câmbio e, consequentemente, passado por uma maxidesvalorização da moeda, que desorganizou a economia. O barril do petróleo estava abaixo de US$ 20 dólares, reflexo da crise econômica que assolava os países emergentes. O monopólio da Petrobras no setor havia sido quebrado, de fato, há apenas um ano e não havia ainda a descoberta dos reservatórios da camada pré-sal.

Se não houver uma mudança de visão, o resultado da Petrobras vai continuar a depender de fatores exógenos a administração da empresa, como o preço do petróleo e a taxa de câmbio, e não de sua eficiência operacional.