quarta-feira, agosto 08, 2012

Dilma teme que relação com Lula azede se forem reveladas falhas graves na gestão de Gabrielli na Petrobrás


Jorge Serrão 
Alerta Total 

Enquanto todos os olhos se voltam para o julgamento do mensalão – que hoje terá o espetáculo de cinismo dos advogados de defesa -, um problema ainda maior atormanta a petralhada. A guerra não declarada entre Dilma Rousseff e figuras muito próximas de Luiz Inácio Lula da Silva será uma fonte de desgaste para o governo. O chamado “fogo amigo” (intrigas e lances de deslealdade explícita entre os próprios petistas) costuma fazer mais estragos que a incompetente oposição política.

O caso mais perigoso e – já público – é na Petrobrás. A presidenta da companhia e amiga pessoal de Dilma Rousseff, Maria das Graças Foster, não perde uma oportunidade, nos bastidores, de fustigar seu antecessor no cargo, o baiano José Sérgio Gabrielli – pessoa muito próxima e da inteira confiança de Lula. A própria divulgação dos “prejuízos”da Petrobrás no último trimestre – que poderiam ser trocados por um discurso de lucro menor no semestre – são sinais de que a gestão Graça, com carta branca da Dilma, pretende atingir Gabrielli – o que acerta em Lula, indiretamente.

Dilma sabe que a Petrobrás tem tudo para servir de palco para um mega desgaste na segunda metade de seu governo. Dilma não pretende arcar com o elevado custo político de ser obrigada a liberar os preços dos combustíveis – gerando inflação e uma impressão psicológica de descontrole da economia. Outro risco enorme que Dilma sabe que corre: os acionistas da estatal de economia mista pesquisam várias hipóteses de irregularidades na gestão de Gabrielli na Petrobrás e podem torná-las públicas a qualquer momento.

Graça Foster assumiu a Petrobrás com carta branca para consertar tudo que estivesse errado. O perigo é que Graça, em discurso defensivo, seja obrigada a nominar quem são os responsáveis por problemas nas áreas financeira e de produção da petrolífera. O caso piora porque qualquer informação negativa sobre a Petrobrás tem grande impacto negativo sobre as ações da companhia – já bastante desvalorizadas – e sobre o próprio governo – que é o acionista majoritário.

Os rolos na Petrobrás também tornam tensas as relações entre a Presidenta Dilma e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também acumula o encargo de presidente do Conselho de Administração da Petrobrás. Dilma sabe de tudo o que acontece na companhia. Seja porque sua amiga Graça está no comando, ou pela própria experiência dela como ex-presidente do conselho da estatal na gestão Lula da Silva.

Por isso, um estouro de boiada na Petrobrás tem muito mais impacto que qualquer resultado no julgamento do mensalão – que agora indica que pode redundar em cadeia para alguns dos ilustres réus, principalmente Marcos Valério Fernandes de Souza. Uma eventual condenação e prisão dele pode até desencadear um efeito cascata, com o súbido surgimento de dossiês e denúncias na Justiça que comprometam outros membros do politburo petralha.

Alô, Alô, OAB...Responda com toda sinceridade...
Diante da rejeição, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da questão de ordem para desmembrar o processo do mensalão e levar o julgamento para instância inferior, advogados dos réus ameaçam uma medida extrema: recorrerão à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA), caso seus clientes sejam condenados.

A alegação é que é inadmissível um condenado não ter direito a recorrer a um tribunal de uma instância superior àquela que o condenou.

A propósito, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) não aceita recursos provenientes do Juizado Especial Criminal (antigo Tribunal de Pequenas Causas) por considerar que a Turma Recursal desse Tribunal – formada por Juízes, e não por Desembargadores – não é de segunda instância.

Injustiça flagrante
Um condenado no Juizado Especial Criminal não tem o direito de recorrer a um tribunal de uma instância superior.

Antes de procurar saber o que a OEA acha disso, seria interessante a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se manifestar, principalmente respondendo à seguinte pergunta:

Devem ser anuladas as inúmeras sentenças condenatórias prolatadas pelo Juizado Especial Criminal, todas elas sem direito a recurso à uma instância superior?