quarta-feira, agosto 08, 2012

Em meio ao julgamento do mensalão, há outros desafios para Dilma


Ricardo Setti
Veja online

(Foto: Leo Caldas) 
Greves, paralisações, PIB, investimento, Código Florestal, 
fator previdenciário e eleições municipais: 
desafios que Dilma terá de enfrentar ainda em agosto, 
em meio ao julgamento do mensalão 

Amigos, reproduzo boa nota publicada no blog Política & Economia na Real, do jornalista José Márcio Mendonça e do economista Francisco Petros.

HÁ OUTROS DESAFIOS PARA DILMA


Nem só de mensalão viverão nesses dias o mundo político e o mundo oficial de Brasília. Dilma já determinou que seus auxiliares não se envolvam nessa história. Afinal, seu governo não tem nada com ela. Quem pariu esse mateus que o embale.

A ajudinha que ela pode dar aos companheiros direta ou indiretamente envolvidos no processo é anunciar medidas positivas para tentar desviar um pouco o foco das notícias eventualmente negativas para eles que poderão fluir do prédio do STF.

A agenda da presidente nesse dias contempla uma série de outros desafios, estes sim capazes de abalar (ou de melhorar) a imagem e a percepção da opinião pública a respeito de seu governo:

1. A greve dos servidores públicos não dá sinais de amainar, pelo contrário, está crescendo. Já há reflexos na economia e pode atingir brevemente os serviços para a população.

Os dirigentes sindicais estão intransigentes e o governo toma atitudes erráticas: ora ameaça e toma atitudes severas, como mandar cortar o ponto e editar um decreto permitindo substituição de grevistas, ora acena com a possibilidade de rever punições e dar um aumento linear aos servidores, possibilidade antes veementemente negada.

2. Esboçam-se em setores privados algumas paralisações com grande poder de prejudicar a população, caso do selvagem (já) movimento dos caminhoneiros, com bloqueios de algumas rodovias estratégicas (Fernão Dias no sábado passado, Dutra no domingo e na segunda-feira).

(…) Até agora está restrito aos “fretistas” individuais, mas a questão é a mesma das grandes transportadoras. Com um agravante para o lado delas: as mudanças no regime de trabalho dos motoristas, justas por sinal, exigirão novas contratações e, portanto, aumentará também o custo dos serviços, já onerado com outros aumentos de preços, como o do óleo diesel.

3. A presidente vai ter de se ajustar com a indústria automobilística, com ameaças de demissão nas montadoras de carros de passeio e demissões e suspensões de contratos de trabalho nas produtoras de caminhões. Dilma ameaça não prorrogar a isenção ou redução do IPI que vence em 31 de agosto, uma decisão equivocada nessa altura para quem quer incentivar o aquecimento da economia.

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come: não pode obrigar a indústria a não demitir nem pode correr o risco de as vendas de carros sofrerem novos baques.

(Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil) 
Greve dos servidores públicos federais: 
paralisação não dá sinais de acabar 

4. É preciso fechar o pacote de agosto, com novos incentivos ao florescimento do PIB, com mais incentivos fiscais, renúncias de receita, ao mesmo tempo em que a arrecadação tributária dá sinais de que não vai atingir as metas programadas para este ano.

5. Está na hora de dar um choque gerencial para valer no setor público. Quando se descontam a maquiagem e os disfarces, o que se vê é um ritmo muito baixo na execução dos investimentos públicos.

6. A presidente e seus operadores econômicos ainda não ganharam a batalha das expectativas dos agentes econômicos.Uma coisa é que eles dizem no Palácio ou em público, outra o que dizem na surdina ou como agem.

7. O Congresso volta ao trabalho, é certo que naquele ritmo pré-eleitoral, ávido ainda por um bom tratamento e com alguns temas explosivos no gatilho: Código Florestal, royalties do petróleo, fator previdenciário… Todos são “instrumentos de barganha”.

Tudo isso num cenário de eleição municipal no qual os aliados, apesar das aparências, mais se digladiam do que se entendem, a exigir uma constante vigilância da presidente para não se indispor com uns e outros e ter de apagar incêndios na Câmara e no Senado.